O Acre está entre os estados brasileiros com maior percentual de municípios classificados na pior faixa de avaliação da qualidade das informações fiscais. Segundo levantamento da Confederação Nacional de Municípios (CNM), com base nos dados de 2025 do Ranking do Tesouro Nacional, 31,8% das cidades acreanas receberam a classificação E, considerada a faixa de menor confiabilidade dos dados apresentados pelas prefeituras.
Na prática, o índice significa que quase um em cada três municípios acreanos está na última faixa de avaliação realizada pelo Tesouro Nacional.
O estado apresenta o quarto maior percentual de municípios na classificação E entre todas as unidades da Federação. O Acre fica atrás de Tocantins, com 38,9%; Amapá, com 37,5%; e Rio de Janeiro, com 37%.
Também aparecem entre os estados com maior proporção de municípios na faixa E a Paraíba, com 30%, e o Pará, com 28,5%.
O Ranking do Tesouro Nacional avalia a qualidade das informações fiscais encaminhadas pelos municípios e classifica as administrações em uma escala que vai de A a E.
A nota A é atribuída às cidades que apresentam mais de 95% de conformidade nos dados analisados. Já a classificação E corresponde aos municípios com menos de 65% de conformidade.
Em todo o Brasil, apenas 930 dos 5.568 municípios, o equivalente a 16,7%, alcançaram a nota A em 2025.
Na outra ponta, 759 municípios ficaram na faixa E, representando 13,63% do total.
Divergências envolvem recursos da União
O levantamento da CNM mostra que uma das principais dificuldades das prefeituras está no cruzamento das informações sobre receitas e transferências recebidas.
No caso do Fundo de Participação dos Municípios (FPM), somente 75,56% das prefeituras brasileiras apresentaram informações totalmente compatíveis com os registros dos repasses realizados pela União. Em 24,44% dos municípios, foram identificadas divergências.
Na Educação, o percentual de conformidade foi ainda menor. No cruzamento entre os dados contábeis municipais e o Sistema de Informações sobre Orçamentos Públicos em Educação (Siope), apenas 59,41% dos municípios apresentaram informações sem divergências na verificação dos repasses de impostos destinados ao setor.
No Fundeb, a concordância chegou a 74,44% nas receitas gerais e a 69,11% nos valores referentes à complementação da União.
Na Saúde, o preenchimento correto dos códigos que identificam a origem dos recursos foi registrado em 75,05% das prefeituras. Na Educação, o índice de conformidade nesse acompanhamento ficou em 72,22%.
A avaliação das contas municipais também ficou mais abrangente nos últimos anos. Entre 2019 e 2025, o número de verificações realizadas pelo governo federal passou de 72 para 207, um crescimento de 187,5%.
O levantamento mostra que houve avanço no número de municípios classificados na faixa A, que passou de 547 para 930. Ao mesmo tempo, porém, também aumentou a quantidade de cidades na pior categoria: de 683 para 759.





