Rio Branco, AC, 2 de outubro de 2026 17:14
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TRE-AC atinge operação de Rêmullo Diniz, invalida provas e expõe irregularidades na investigação

O Tribunal Regional Eleitoral do Acre (TRE-AC) reconheceu irregularidades em atos praticados no âmbito da investigação conduzida pelo delegado Rêmullo Diniz contra pessoas acusadas de administrar perfis nas redes sociais utilizados para atacar o candidato ao Governo do Acre Alan Rick (Republicanos). A decisão atingiu provas produzidas durante a operação e determinou a devolução dos aparelhos apreendidos.

O julgamento colocou diretamente sob questionamento a forma como Rêmullo Diniz conduziu a investigação. Magistrados apontaram problemas relacionados à origem do procedimento, à competência, à atuação territorial da autoridade policial e às circunstâncias que levaram às buscas e apreensões.

O caso foi analisado no HC Criminal nº 0601054-08.2026.6.01.0000, apresentado em favor da advogada e professora universitária Viviane Silva dos Santos Nascimento, uma das pessoas atingidas pela operação.

A relatora, juíza Rogéria José Epaminondas Mesquita, reconheceu a ilicitude na obtenção de provas. O entendimento foi estendido aos demais alvos, comprometendo elementos probatórios decorrentes dos atos considerados irregulares.

Antes mesmo do julgamento, a relatora já havia determinado que o celular de Viviane permanecesse lacrado, impedindo a Polícia Civil de acessar, copiar ou analisar o conteúdo do aparelho.

Atuação de Rêmullo Diniz é questionada

Um dos pontos mais sensíveis do julgamento foi justamente a conduta do delegado Rêmullo Diniz à frente da investigação.

Durante a análise do caso, magistrados levantaram questionamentos sobre a forma como a apuração foi iniciada e conduzida. Também chamou atenção da Corte a comunicação entre o delegado e um coordenador da campanha de Alan Rick em Sena Madureira.

Foi observado ainda que os investigados residiam em Rio Branco, enquanto Rêmullo Diniz estava lotado em Sena Madureira.

A juíza Lilian Deise chamou atenção para essa questão territorial. Já outros integrantes da Corte discutiram a competência para investigar eventuais ilícitos de natureza eleitoral e a necessidade de atuação das autoridades competentes nessa esfera.

O juiz federal Jair Facundes fez críticas contundentes ao procedimento. Além de apontar ilegalidades identificadas nos autos, questionou a seletividade da investigação diante da existência de conteúdos contra diferentes candidatos nas redes sociais.

“A autoridade policial é atuante nas plataformas como apoiador de um determinado candidato. Isso é estranho”, afirmou Facundes durante o julgamento.

O magistrado também declarou que “o juiz e o promotor que trabalharam ali foram induzidos a erros”, ao analisar as circunstâncias em que as medidas foram solicitadas e autorizadas.

As manifestações colocaram a atuação de Rêmullo Diniz no centro da controvérsia e reforçaram os questionamentos sobre a regularidade dos procedimentos adotados sob sua condução.

O desembargador Samoel Evangelista também destacou a gravidade das irregularidades discutidas e defendeu uma “apuração rigorosa” da conduta do delegado.

TRE determina devolução dos celulares

Com o reconhecimento das irregularidades, o Tribunal determinou a restituição dos aparelhos apreendidos.

A decisão alcançou ainda outros investigados, entre eles Luciene da Cunha Nogueira, Willy Fernandes, Gislaine de Abreu e Raimundo Nonato.

A consequência jurídica é significativa. Uma vez reconhecida a ilicitude na obtenção de determinadas provas, os elementos diretamente derivados desses atos também podem ficar comprometidos.

O julgamento representa uma mudança importante em relação à narrativa apresentada quando a operação foi deflagrada.

Inicialmente, a investigação buscava identificar uma suposta estrutura organizada nas redes sociais destinada à publicação de conteúdos ofensivos ou falsos contra Alan Rick. Foram realizadas buscas em Rio Branco e apreendidos celulares e outros equipamentos.

Com a decisão do TRE-AC, porém, a própria forma utilizada para obtenção das provas passou pelo crivo da Justiça Eleitoral e teve irregularidades reconhecidas.

Isso não significa que o Tribunal tenha declarado inexistentes todos os fatos inicialmente investigados. A decisão estabelece, entretanto, uma distinção fundamental: suspeitas levantadas em uma investigação não equivalem a fatos comprovados, especialmente quando provas produzidas durante a apuração são consideradas ilícitas.

O episódio ganha ainda maior dimensão porque a atuação do delegado responsável pela operação passou a ser objeto de críticas expressas durante o julgamento.

Assim, uma investigação que começou com forte repercussão política, buscas e apreensões chega a este momento com um cenário bastante diferente: atos praticados durante a operação conduzida por Rêmullo Diniz foram considerados irregulares, provas tiveram sua validade comprometida e a Justiça Eleitoral determinou a devolução dos aparelhos apreendidos.

Agora, além do destino da própria investigação, entra em discussão a apuração da conduta funcional adotada pelo delegado durante o procedimento, conforme defendido por integrantes da Corte.