Rio Branco, AC, 9 de outubro de 2026 08:23
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A política é como uma roda gigante alternando quem está em cima com quem está embaixo

O Primeiro Turno das eleições do Acre trouxe muitas lições para quem quer ver. A primeira delas é que o poder não é para sempre. As derrotas do Jorge Viana (PT) e do Gladson Cameli (PP) para o Senado são muito reflexivas. JV já ocupou quase todos os cargos eletivos no Acre. Foi governador duas vezes, senador e prefeito de Rio Branco.

Em 2026, fez uma campanha para o Senado com muitos recursos financeiros e um discurso de conciliação e união que, na verdade, não combina muito com a sua personalidade forte. Mas mesmo com esse currículo invejável amargou uma quarta colocação na disputa ficando bem longe da vitória. Dificilmente o JV ainda terá caminhos para se eleger no Acre, seja ao cargo que for.

Por outro lado, o ex-governador Gladson Cameli (PP) nunca tinha perdido uma eleição. Foi deputado federal duas vezes, o senador mais jovem do Brasil e governador reeleito no primeiro turno em 2022. Além disso, poucos políticos tiveram tanta popularidade no estado como Gladson. Mas essas eleições trouxeram o sabor amargo da sua primeira derrota como político.

Então como explicar as derrotas desses dois ícones da política acreana? Não existem explicações seguras, mas fatores que contribuíram para as derrotas de Jorge Viana e Gladson Cameli. Eu posso, pra começar, dar uma explicação filosófica, tudo na vida passa, os bons e os maus momentos. Nada é para sempre.

Mas posso fazer outras análises. O JV tentou mudar radicalmente a sua maneira de ser na tentativa de convencer os eleitores.
Mas os resultados mostraram que não funcionou. Os 20 anos de governos do PT no Acre trouxeram muitos avanços, mas deixaram um ranço de arrogância, um “nós contra eles”, o “bem contra o mal” que cansou o eleitorado acreano.

Uma outra questão é que o PT não soube criar novas lideranças. Acho até que esse é um dos fatores primordiais nessa equação. Muitos que surgiram com potenciais para ocuparem papéis importantes no Partido tiveram as suas “asas cortadas”. E a ironia do destino é que existe uma rivalidade evidente entre PT e PC do B, e os únicos eleitos da esquerda foram Edvaldo Magalhães (PC do B) para deputado estadual e Perpétua Almeida (PC do B) para federal.

Quanto ao Gladson Cameli é óbvio que as incertezas jurídicas sobre a sua candidatura pesaram muito. Ele saiu do governo com uma grande aprovação popular, mas não conseguiu transformar esse fator em votos.

Um outro ponto, o Gladson sempre teve o mesmo marqueteiro em quase todas as disputas em que as situações lhes eram favoráveis. Mas quando ele precisou de uma comunicação para dizer aos eleitores que a sua situação jurídica poderia mudar, caso eleito, a sua equipe de marketing falhou.

Na minha opinião, nunca foi o marqueteiro e nem o dinheiro da sua família que deram ao Gladson seguidas vitórias, mas o seu carisma natural. No entanto, quando precisou de verdade pela primeira vez do seu marketing, não teve a assistência que era necessária. Sem falar nos muitos que se diziam seus “amigos” enquanto estava no poder que “correram” quando a situação se complicou.

Mas as eleições passam como as águas de um rio em movimento e tanto o Jorge Viana quanto o Gladson terão a oportunidade de construírem novos caminhos. Lembrando sempre que assim como uma roda gigante, quem está numa cadeira embaixo vai para o alto, quem está no alto também um dia desce.