A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) confirmou dois casos de sarampo em pacientes atendidos no Acre. Os diagnósticos foram divulgados na quinta-feira, 8, e envolvem uma criança de 11 meses, internada em estado grave na Unidade de Terapia Intensiva (UTI), e uma mulher de 30 anos. Ambas moram em Puerto Maldonado, no Peru, e passaram por Assis Brasil e Brasileia antes de chegarem a Rio Branco.
A Secretaria de Estado de Saúde do Acre (Sesacre) mantém a investigação epidemiológica para identificar onde ocorreu a infecção, rastrear possíveis contatos e verificar se houve transmissão durante a passagem das pacientes pelo estado. Há indícios de que a contaminação tenha ocorrido fora do território acreano, mas a classificação definitiva dos casos depende da conclusão das investigações.
A confirmação dos diagnósticos ocorre em meio ao alerta nacional para o avanço da doença. Segundo o Ministério da Saúde, o Brasil registrou 52 casos confirmados de sarampo em 2026: 41 em São Paulo, dez no Amazonas e um no Rio de Janeiro. Mais de 3,8 mil notificações foram registradas neste ano, das quais cerca de 2,3 mil foram descartadas e aproximadamente 1,4 mil permaneciam em investigação no balanço divulgado pela pasta.
Para conter a transmissão, as autoridades de saúde realizam busca ativa de casos suspeitos, investigação epidemiológica, monitoramento de contatos e bloqueio vacinal. No Acre, as medidas incluem o acompanhamento das pessoas que tiveram contato com as pacientes e ações de vigilância em unidades de saúde de Brasileia e Rio Branco por onde elas passaram, entre elas o Hospital de Urgência e Emergência de Rio Branco (Huerb) e o Instituto de Traumatologia e Ortopedia do Acre (Into).
A Prefeitura de Rio Branco informou que a cobertura vacinal contra o sarampo na capital chegou a 98,69%. Mesmo com o índice, a Secretaria Municipal de Saúde reforçou a orientação para que a população confira a caderneta de vacinação e procure uma unidade de saúde para atualizar as doses recomendadas.
A vacina tríplice viral, que protege contra sarampo, caxumba e rubéola, é oferecida gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Para crianças, o calendário de rotina prevê doses aos 12 e aos 15 meses. Em situações específicas de maior risco, a chamada dose zero pode ser indicada para bebês a partir dos 6 meses, conforme as orientações das autoridades sanitárias.
O sarampo é uma doença viral altamente contagiosa. Os principais sintomas incluem febre, manchas vermelhas na pele, tosse, coriza e irritação nos olhos. Pessoas com esses sinais, especialmente após viagens internacionais ou contato com casos suspeitos, devem procurar atendimento de saúde e informar o histórico de deslocamento.
Em novembro de 2024, o Brasil foi recertificado pela Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) como livre da circulação endêmica do sarampo. A ocorrência de casos importados, porém, mantém o risco de reintrodução do vírus, principalmente em locais onde há pessoas com vacinação incompleta.
A investigação dos casos no Acre deverá esclarecer a origem das infecções e verificar se houve transmissão secundária. Até a conclusão das apurações, não se deve confundir a confirmação dos diagnósticos nas pacientes com a comprovação de circulação comunitária do vírus no estado.





