Rio Branco, AC, 14 de outubro de 2026 16:25
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A última risada que o Ayres Rocha arrancou de mim

Não me lembro se o ano era 2018 ou 2019. Mas o fato é que eu estava voltando do Rio para o Acre e na troca do avião em Brasília marcaram o meu lugar ao lado do Ayres Rocha. O voo lotado e eu estava na poltrona do meio (que não gosto) e o Ayres na janela.

A gente se conhecia evidentemente das mídias e de vista de alguns bares e restaurantes de Rio Branco. O Ayres logo percebeu a minha contrariedade de estar sentado no meio e ofereceu o lugar dele com gentileza. Aquela demonstração de desapego fez com que eu me aquietasse com o incômodo e recusei a oferta. Cada um ficou no seu lugar marcado pelo destino e começamos a conversar.

O Ayres estava vindo também do Rio onde tinha participado da bancada do Jornal Nacional e aproveitado a viagem para ver algumas questões de saúde. Acho que tinha feito parada en Goiânia. Alguns detalhes que não lembro muito bem.

Mas o que eu lembro é que ele me contou dos problemas sérios de saúde que estava passando com um bom humor que me espantou. Nada de reclamações só constatações e vida que segue. Como qualquer encontro de acreanos falamos muito de política e da nossa profissão de jornalistas. Tudo entremeado com ironias e piadas.

O Ayres mudou o astral da minha viagem. Conversamos como dois amigos de longa data quando estávamos nos falando pela primeira vez. Realmente não era difícil pra ninguém se tornar amigo dele. Aquelas três horas de voo entre Brasília e Rio Branco passaram literalmente voando.

Nos despedimos com aquela promessa “carioca” da gente se reencontrar pra esticarmos aquela conversa agradável e divertida. Nunca nos ligamos, mas ainda encontrei com o Ayres uma noite em que eu estava com o Ray Melo no Restaurante Paço e havia um show de música ao vivo. E outra vez na entrega do Prêmio de Comunicação do Governo do Acre.

Hoje lendo as notícias sobre a sua “passagem espiritual” senti uma grande tristeza. Um ser humano de alto nível que vai fazer falta ao Acre e ao mundo. Um sujeito que fez da alegria e da emoção marcas de um jornalismo que aproximava as pessoas nesse momento de grande divisão do nosso país.

Mas ainda faltava um acontecimento pra fechar essa história. Acompanhando as muitas merecidas homenagens ao Ayres Rocha tinha um link que levava a algumas postagens suas no Instagram. Ele contando sobre a agonia de quando se chama um Uber, o carro chega e a gente descobre que perdeu a chave da porta de casa. Desabei num sonora gargalhada porque eu mesmo já vivi uma situação como essa.

Ayres querido siga na força luminosa da alegria que sustentou a sua existência. Sempre acompanhado dos Guias que protegem a jornada de todos nós na eternidade.