Rio Branco, AC, 22 de outubro de 2026 15:10
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Disputa pela Mesa Diretora vira queda de braço entre vereadores, expõe racha no PP e coloca prefeito Alysson no centro das articulações

A eleição da nova Mesa Diretora da Câmara Municipal de Rio Branco para o biênio 2027-2028 começa a expor divergências políticas, disputas por cargos e articulações que colocam o prefeito Alysson Bestene no centro das negociações. Duas composições concentram as atenções: uma liderada por Bruno Moraes e outra articulada em torno de Elzinha Mendonça.

Bruno confirmou que está à disposição para disputar a presidência. Elzinha também defendeu seu direito de apresentar candidatura. Nos bastidores, a disputa envolve a formação de maiorias, a distribuição dos cargos estratégicos e a influência do Progressistas (PP) na futura direção do Legislativo.

Bruno Moraes tenta consolidar maioria

A composição articulada em torno de Bruno prevê Antônio Morais na vice-presidência, Márcio Mustafá na primeira secretaria e Lucilene Vale na segunda secretaria. Também são citados Neném Almeida, Joaquim Florêncio, Raimundo Neném, Aiache, Leôncio Castro, Eber Machado, João Paulo, Moacyr Júnior e Rutênio Sá.

O grupo aposta na formação de uma maioria capaz de garantir a eleição. Entretanto, os apoios e a distribuição dos cargos ainda precisam ser confirmados individualmente, e a relação de nomes não representa, necessariamente, um compromisso definitivo de todos os parlamentares.

Bruno defende uma relação institucional equilibrada com a Prefeitura, baseada no diálogo e no respeito à independência entre os poderes. A presidência da Câmara tem influência sobre a condução dos trabalhos legislativos e a administração interna da Casa, o que torna a disputa estratégica para os próximos dois anos.

Elzinha articula alternativa com Felipe Tchê

A segunda composição tem Elzinha Mendonça como candidata à presidência e Felipe Tchê como possível vice-presidente. Zé Lopes, Samir Bestene, Joabe Lira, Fábio Araújo e Matheus Paiva aparecem entre os vereadores apontados como apoiadores da articulação.

Elzinha defende o direito de disputar o comando do Legislativo e já destacou a importância da participação feminina na direção da Câmara. O desafio será transformar os apoios atribuídos ao grupo em votos efetivos e construir um entendimento sobre os demais cargos da Mesa.

A existência de duas articulações evidencia que a sucessão não está definida e que a disputa poderá ampliar divergências dentro da base política ligada ao prefeito.

Aiache defende maioria e aponta Mustafá para a primeira secretaria

O vereador José Augusto Aiache, líder do prefeito na Câmara, afirmou que a composição da Mesa deve considerar a maioria parlamentar e ser construída por meio de diálogo com o Executivo. Ao comentar a disputa pela primeira secretaria entre Antônio Morais e Márcio Mustafá, indicou preferência por Mustafá na construção política em andamento.

Aiache também rejeitou a interpretação de que Alysson Bestene estaria atuando contra Bruno Moraes por causa de possíveis disputas eleitorais em 2028. Segundo ele, antecipar esse tipo de cenário é prematuro, e a prioridade deve ser construir um entendimento entre os vereadores e a Prefeitura.

A posição reforça um dos principais pontos da negociação: embora o Executivo seja considerado um interlocutor importante, não há confirmação de que o prefeito tenha fechado apoio a Bruno ou Elzinha.

Mudança no calendário pode acelerar disputa

Outro fator que pode influenciar a eleição é a proposta de Neném Almeida para alterar o Regimento Interno e permitir que a escolha da Mesa ocorra entre outubro e dezembro. A mudança, entretanto, depende de tramitação e aprovação pelos vereadores e não altera automaticamente o calendário vigente.

A eventual antecipação poderá reduzir o tempo para negociações e pressionar os grupos a confirmar candidaturas, apoios e a distribuição dos cargos.

Por enquanto, a disputa permanece aberta. A consolidação dos votos, a definição da primeira secretaria e a posição política de Alysson Bestene serão fatores importantes para o desfecho. Mais do que escolher o próximo presidente, a eleição deverá testar a unidade dos grupos políticos da Câmara e estabelecer o equilíbrio de forças entre o Legislativo e a Prefeitura para o biênio 2027-2028.