Rio Branco, AC, 25 de outubro de 2026 22:00
Home / Política / Nunes Marques garante que prorrogação não prejudicou votação

Nunes Marques garante que prorrogação não prejudicou votação

Presidente do TSE reconhece como legítimo o processo eleitoral aplicado neste domingo (25) e cita esforços da Corte para acompanhar decisão de Zanin

O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kassio Nunes Marques, reconheceu, em coletiva da Corte neste domingo (25), o resultado do  segundo turno das Eleições Gerais de 2026, que teve como vencedor o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), reeleito para o quarto mandato. Durante o discurso, elogiou repetidas vezes a qualidade da equipe técnica do TSE e abordou os múltiplos questionamentos sobre a prorrogação da votação, que foi estendida, extraordinariamente, até as 19h.

“Registro que liguei para os dois candidatos para confirmar o resultado do pleito. Ao presidente Lula, registro o reconhecimento da Justiça Eleitoral por participação em mais esse processo democrático e pela expressiva vitória nas urnas. Sua trajetória política atravessa diferentes períodos da história democrática brasileira. Participou, como candidato, de oito eleições, tendo vencido quatro delas”, pontuou Nunes Marques.

O magistrado também se manifestou sobre as “dificuldades pontuais” de deslocamento em alguns dos principais colégios eleitorais do país. O caso de maior repercussão aconteceu na Bahia, onde, pelo menos, 75 ônibus foram impedidos de circular pela Secretaria de Mobilidade (Semob) de Salvador. De acordo com o Procon do estado, o número de veículos estacionados chegou a 544, após fiscalizações dos agentes.

A decisão da Semob descumpriu a Resolução nº 23.751/2026, do TSE, que estabelece a adoção de providências para garantir, nos dias de votação, a oferta gratuita de transporte coletivo urbano e frota integral, conforme aplicado nos dias úteis.

A irregularidade foi compreendida pela Justiça como crime eleitoral e resultou em um pedido de prisão contra o secretário de Mobilidade de Salvador, Pablo Souza. Outras denúncias do mesmo teor foram registradas em Lauro de Freitas e Feira de Santana (BA), São Paulo (SP), Teresina (PI), Belo Horizonte (MG), Curitiba e Guaratuba (PR), entre outras.

“Segurança absoluta”

A decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Cristiano Zanin  de estender o horário de votação até as 19h em todo o país, após as centenas de denúncias sobre irregularidades durante o domingo, criou um impasse sobre como estender a votação, que foi encerrada oficialmente às 17h em diversas seções do país.

Apesar da prorrogação, Nunes Marques afirma que o TSE tem “absoluta segurança de todo o processo eleitoral”.

“A eventual insuficiência de transporte sempre será apurada e enfrentada pela Justiça Eleitoral, instituição que a nossa Constituição atribuiu a competência exclusiva de gerir o processo eleitoral. Nesse ponto, tenho que registrar que a decisão liminar [do ministro Cristiano Zanin, do STF) proferida após o horário de encerramento da votação gerou dificuldades no processo eleitoral”, pontuou.

O presidente da Corte Eleitoral disse, ainda, que recebeu o pedido de prorrogação do horário de votação por volta das 15h30 e que buscou orientações junto às equipes técnicas do TRE da Bahia e das prefeituras afetadas.

Nunca, na história do TSE, houve qualquer prorrogação. Não seria possível, em poucas horas, construir um juízo de certeza de que nenhum efeito colateral, especialmente no aspecto tecnológico, advindo de uma decisão judicial viesse a impactar significativamente a apuraçãoKassio Nunes Marques

O reconhecimento das dificuldades durante o pleito, no entanto, não foram registradas em formato de crítica a Zanin, segundo Nunes Marques. As declarações durante coletiva buscaram, apenas, justificar questionamentos feitos nas redes sociais.

“Registro que essas palavras não se endereçam a absolutamente nenhuma crítica a uma decisão judicial, mas às indagações que circulam nas redes sociais sobre o por quê eu teria demorado para proferir uma decisão. Não é uma decisão convencional. Prorrogar uma eleição é possível, mas precisa ser pensado, calculado e estruturado”, continuou.

Mesmo diante da instabilidade, a apuração não foi afetada durante a reta final.

“No entanto, como os senhores já perceberam, graças aos esforços administrativos do Tribunal e da nossa equipa técnica, nós conseguimos solucionar a maioria dos problemas, nós conseguimos contornar todas essas dificuldades no último momento, fizemos a contenção de todos os arquivos de boletim de urna do Brasil e, após essa decisão de poucas horas, conseguimos dar a fluência num ritmo que evitasse qualquer tipo de problema técnico”, finalizou.