Rio Branco, AC, 26 de outubro de 2026 13:04
Home / Política / Mailza Assis entra para a história do Acre e integra grupo de apenas três mulheres eleitas governadoras em 2026

Mailza Assis entra para a história do Acre e integra grupo de apenas três mulheres eleitas governadoras em 2026

A eleição de Mailza Assis (PP) para um novo mandato à frente do Governo do Acre marca um dos principais resultados femininos das eleições de 2026. Com 272.635 votos, equivalentes a 66,21% dos votos válidos, a governadora venceu o senador Alan Rick (Republicanos), que recebeu 139.108 votos, ou 33,79%, no segundo turno realizado neste domingo, 25. O resultado consolidou a vitória de Mailza em uma disputa que começou com vantagem no primeiro turno e terminou com uma diferença de 32,42 pontos percentuais.

A votação tem um significado particular na trajetória política de Mailza. Ela assumiu o Governo do Acre em abril de 2026, após a saída de Gladson Cameli, de quem era vice-governadora, e disputou pela primeira vez diretamente nas urnas a titularidade do Executivo estadual. Ao conquistar o mandato pelo voto popular, deixou para trás a condição de governadora que havia chegado ao cargo por sucessão e passou a contar com uma vitória eleitoral própria para conduzir a administração estadual a partir de 2027.

A vitória coloca Mailza em posição de destaque no cenário político regional e nacional. No Acre, ela passa a ter um mandato conquistado diretamente nas urnas, com respaldo eleitoral para dar continuidade às políticas públicas e apresentar suas próprias prioridades de gestão. A expressiva votação, entretanto, não elimina os desafios administrativos e políticos que acompanham o exercício do cargo. O resultado eleitoral define a legitimidade do mandato, enquanto a avaliação do governo dependerá das ações implementadas, dos resultados alcançados e da capacidade de responder às demandas da população.

O triunfo da governadora acreana também integra um quadro nacional marcado pela baixa presença feminina no comando dos Executivos regionais. Ao fim das eleições de 2026, apenas três mulheres foram eleitas: Mailza Assis, no Acre; Raquel Lyra (PSD), em Pernambuco; e Celina Leão (PP), no Distrito Federal. Juntas, elas representam 11,1% dos 27 cargos em disputa. Os homens conquistaram os outros 24, equivalentes a 88,9%.

A proporção evidencia a dimensão da desigualdade de gênero na política brasileira. Embora as mulheres representem pouco mais da metade da população do país, continuam ocupando uma parcela reduzida dos postos mais elevados do Poder Executivo.

Raquel Lyra conquistou a reeleição em Pernambuco no primeiro turno, enquanto Mailza Assis e Celina Leão precisaram disputar o segundo turno para confirmar suas vitórias. A governadora pernambucana obteve 53,27% dos votos válidos, segundo os resultados divulgados durante a apuração eleitoral. Mailza, por sua vez, terminou a disputa no Acre com 66,21%, enquanto Celina venceu no Distrito Federal com 57,18%, conforme os resultados divulgados pela Justiça Eleitoral.

Os números mostram que as três alcançaram a vitória por caminhos diferentes, mas o resultado final é semelhante: a continuidade de mulheres à frente de governos regionais. A votação de Mailza se destaca pelo percentual alcançado no segundo turno e pela vantagem de mais de 133 mil votos sobre o adversário. Já Raquel Lyra assegurou a permanência no cargo sem necessidade de uma segunda votação, enquanto Celina Leão confirmou sua vitória no Distrito Federal na etapa decisiva.

A análise também precisa considerar que a presença feminina no poder não é determinada apenas pelo resultado das urnas. A formação das candidaturas, a estrutura dos partidos, o acesso a recursos, as alianças políticas e a exposição pública são fatores que podem influenciar a competitividade eleitoral. O fato de apenas três mulheres terem vencido em 2026 mostra que a conquista de espaço nas disputas majoritárias ainda não se converteu em representação equilibrada.

No Acre, a eleição de Mailza assume uma dimensão adicional por consolidar uma mulher no comando do estado após a experiência de Iolanda Fleming, que assumiu o governo em 1986 e entrou para a história como a primeira mulher a governar um estado brasileiro. Quatro décadas depois, a vitória de Mailza e a composição de uma chapa com Jéssica Sales na vice-governadoria dão novo destaque à participação feminina na política acreana.

O resultado de 2026, portanto, reúne duas realidades. De um lado, Mailza Assis conquista um mandato próprio com uma votação expressiva e passa a integrar o grupo restrito de mulheres que comandam governos no Brasil. De outro, a proporção nacional evidencia que a presença feminina permanece distante da paridade. A eleição representa uma conquista para a trajetória política da governadora e um dado relevante para o debate sobre representatividade, mas não altera, por si só, a predominância masculina no comando dos Executivos regionais.

Para o Acre, o desafio agora é transformar o respaldo recebido nas urnas em resultados concretos para a população, especialmente nas áreas de saúde, educação, infraestrutura, desenvolvimento econômico e proteção social. Para o país, a eleição deixa uma questão em aberto: como ampliar a participação das mulheres nos espaços de decisão para que vitórias como as de Mailza Assis, Raquel Lyra e Celina Leão deixem de ser exceções numéricas e passem a refletir uma representação política mais equilibrada.