Rio Branco, AC, 27 de outubro de 2026 11:48
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Crise financeira ameaça atendimento de mais de 800 famílias na Associação de Equoterapia Eu Acredito, em Rio Branco

Mais de 800 famílias podem ser afetadas pela suspensão das bolsas de atendimento da Associação de Equoterapia Eu Acredito, localizada no Ramal Santa Maria, zona rural de Rio Branco, que anunciou a interrupção dos benefícios por tempo indeterminado em razão de uma grave crise financeira. A decisão, comunicada na segunda-feira, 26, ameaça a continuidade do acompanhamento de crianças, adolescentes e pessoas com deficiência atendidas pela instituição e reacende a preocupação de mães atípicas e responsáveis que dependem do serviço.

Em comunicado oficial, a associação informou que não dispõe mais de recursos suficientes para manter a estrutura de atendimento e custear as bolsas anteriormente concedidas. A entidade afirma que a medida foi motivada pela falta de financiamento e não representa falta de compromisso com as famílias atendidas.

Segundo a instituição, durante sua trajetória filantrópica, recursos destinados originalmente a 103 praticantes chegaram a ser utilizados para viabilizar o atendimento de aproximadamente mil pessoas. O esforço, conforme a direção, foi sustentado pela dedicação da equipe e pela tentativa de ampliar o acesso à equoterapia mesmo diante de limitações financeiras.

Atualmente, apenas 56 praticantes contam com recursos provenientes de emendas parlamentares, número que, de acordo com a associação, está muito abaixo da demanda existente. A entidade não informou uma previsão para a retomada das bolsas, deixando as famílias sem uma data definida para a possível normalização dos atendimentos subsidiados.

A suspensão preocupa especialmente os responsáveis que não possuem condições financeiras de pagar por serviços particulares. Para essas famílias, a interrupção pode representar dificuldades para manter a continuidade de um acompanhamento terapêutico utilizado no desenvolvimento e na reabilitação dos praticantes, conforme as necessidades individuais e as indicações profissionais.

A equoterapia utiliza o cavalo como recurso terapêutico e pode contribuir para aspectos motores, sensoriais, cognitivos e psicossociais, dependendo das condições de cada paciente e do planejamento da equipe responsável. Por isso, a continuidade do atendimento é uma preocupação para famílias que acompanham a evolução dos praticantes e buscam manter as atividades recomendadas.

Diante do cenário, a associação orientou mães, familiares e responsáveis a procurar órgãos públicos para solicitar providências e buscar alternativas que permitam a continuidade dos atendimentos. Entre as instituições indicadas estão o Ministério Público, o Governo do Acre, a Prefeitura Municipal e a Defensoria Pública.

A entidade recomenda que as famílias formalizem seus pedidos, solicitem respostas dos órgãos competentes e apresentem, quando disponíveis, relatórios médicos, encaminhamentos e documentos que demonstrem a necessidade do acompanhamento terapêutico. A orientação é que cada situação seja analisada pelas instituições responsáveis, conforme as atribuições legais e as políticas públicas aplicáveis.

No comunicado, a associação também menciona a Lei Federal nº 13.830/2019, que regulamenta a prática da equoterapia no Brasil. A legislação estabelece regras para a realização dessa modalidade terapêutica, enquanto outras normas brasileiras asseguram direitos relacionados à saúde, à habilitação e à reabilitação das pessoas com deficiência.

A direção defende que o acesso a tratamentos e serviços necessários não deve depender exclusivamente da capacidade financeira de uma instituição filantrópica. Para a entidade, a manutenção do atendimento exige participação mais efetiva do poder público, além da articulação entre as famílias e as organizações que atuam na área.

A entidade reconheceu a importância da continuidade terapêutica e lamentou a necessidade de suspender as bolsas. No posicionamento, a instituição reafirmou o compromisso com os praticantes e destacou que as famílias precisam de respostas e soluções concretas diante da falta de recursos.

Com a suspensão anunciada por tempo indeterminado, a principal preocupação agora é encontrar alternativas para evitar que os praticantes fiquem sem o acompanhamento de que necessitam. Até o momento, não há uma data informada para a retomada das bolsas, e as famílias são orientadas a buscar os órgãos competentes para esclarecer quais medidas podem ser adotadas em cada caso.