Rio Branco, AC, 29 de outubro de 2026 13:44
Home / Política / André Kamai denuncia transfobia e cobra prefeitura por abandono de parque após crime contra mulher trans

André Kamai denuncia transfobia e cobra prefeitura por abandono de parque após crime contra mulher trans

O vereador e sociólogo André Kamai (PT) denunciou na tribuna da Câmara a brutal agressão sofrida por Hadassa Oliveira Marques, mulher trans de 23 anos, no Parque do São Francisco. Em tom de indignação, o parlamentar cobrou rigor das autoridades e enquadrou o episódio como crime de ódio motivado por transfobia e tentativa de feminicídio.

Hadassa sofreu severas fraturas faciais, incluindo no maxilar e no nariz, e permanece internada no Pronto-Socorro da capital. Em seu discurso, Kamai ressaltou a crueldade do ataque direcionado ao rosto da jovem e rechaçou qualquer tentativa de moralização em torno de sua ocupação.

“Ela estava trabalhando, e aí não cabe aqui nenhum tipo de julgamento sobre o trabalho que ela escolheu. Uma pessoa que foi lá, supostamente colher os serviços dela, a espancou até desfigurar completamente o seu rosto. A Hadassa está hoje no pronto-socorro com o maxilar quebrado, os ouvidos estourados, por um crime de profundo ódio, transfobia, uma tentativa de feminicídio gravíssima na nossa cidade”, enfatizou o vereador.

Além do enquadramento do crime, Kamai responsabilizou o poder público municipal pela vulnerabilidade a que frequentadores e trabalhadores do Parque do São Francisco estão submetidos. O vereador destacou que a falta de iluminação e manutenção no espaço público favorece a ocorrência de episódios de violência extrema.

“Ela sofreu esse crime dentro de um espaço público de responsabilidade da Prefeitura de Rio Branco, que é o Parque do São Francisco, que está sem iluminação, sem limpeza, completamente abandonado há um bom tempo. Os espaços públicos, quando bem iluminados, bem cuidados e bem organizados, evitam a violência e evitam que crimes graves assim aconteçam”, alertou.

Ao final, Kamai expressou solidariedade aos familiares, amigos e coletivos LGBTQIAPN+ que temem a escalada da violência estrutural na capital acreana. O parlamentar encerrou com um apelo direto ao Poder Executivo municipal e ao Governo do Estado para que o caso não fique impune.

“Fica aqui minha solidariedade à Hadassa, à sua família e a todos os amigos e amigas que estão hoje com medo por conta dessa situação. Peço ao nosso prefeito, à governadora e a todas as autoridades públicas do Acre que tomem providências. Esse é um caso para servir de exemplo — exemplo para que não se repita e para que a gente não tenha mais ninguém sofrendo o que a Hadassa está sofrendo hoje.”