A sócia-proprietária da Ricco Transportes, Bruna Fernandes, rebateu nesta quarta-feira, 17, as declarações da Prefeitura de Rio Branco sobre a crise enfrentada pela empresa e afirmou que os problemas financeiros da concessionária são consequência direta da falta de repasses relacionados às gratuidades do transporte coletivo e da defasagem da tarifa técnica.
Durante entrevista concedida no Terminal Urbano da capital, Bruna alegou que a Prefeitura reconhece uma dívida com a empresa referente ao transporte gratuito de passageiros, que, segundo ela, representa atualmente cerca de 48% dos usuários atendidos pela Ricco.
“O valor é reconhecido tanto pela Procuradoria-Geral do Município quanto por outros órgãos da Prefeitura. Hoje, 48% do que nós transportamos são gratuidades, e esse valor não vem sendo repassado à empresa desde 2022”, declarou.
A empresária afirmou que a Ricco opera há anos sem receber integralmente os valores que considera necessários para manter o sistema funcionando adequadamente. Segundo ela, a situação comprometeu investimentos na frota e na qualidade do serviço oferecido à população.
“A Ricco reconhece que não está prestando o serviço de qualidade que a população merece. Porém, a Prefeitura, que é o poder concedente, nunca nos deu capacidade financeira para prestar esse serviço. Com a tarifa técnica defasada, não há condições de fazer novos investimentos”, disse.
Bruna também relacionou os atrasos salariais e pendências trabalhistas enfrentadas pela empresa à falta dos repasses reivindicados.
“A responsabilidade pelos atrasos salariais e pelas dificuldades que hoje temos com alguns trabalhadores, inclusive em relação ao FGTS, decorre, de certa forma, de atos da administração por não ter repassado os valores que seriam devidos à empresa”, afirmou.
Ao comentar a nova modelagem tarifária apresentada pela Prefeitura, a empresária sustentou que os números divulgados pelo município não correspondem aos cálculos aprovados tecnicamente. Segundo ela, o teto da tarifa técnica previsto no edital seria inferior ao valor anunciado pela gestão municipal.
“Aquilo que foi aprovado na Câmara Técnica não foi o que foi publicado. Se for fazer o cálculo com o edital lançado, o teto máximo seria de R$ 10,95 e não de R$ 11,40”, argumentou.
Sobre o futuro da empresa em Rio Branco, Bruna confirmou que a Ricco não participará da nova licitação emergencial para operar o transporte coletivo da capital. Ela explicou que a própria empresa havia manifestado anteriormente o interesse em não renovar o contrato devido à defasagem financeira do sistema.
“Nós estamos pleiteando receber esse valor que já é reconhecido e devido à empresa para quitar todos os direitos dos nossos trabalhadores. Não queremos ser mais uma empresa que vai sair daqui deixando dívidas. Não vamos sair enquanto não recebermos o valor necessário para pagar os funcionários”, declarou.
Questionada sobre uma eventual participação em futuras licitações de longo prazo para operar o sistema de transporte coletivo de Rio Branco, Bruna evitou descartar completamente essa possibilidade. “A princípio, não temos interesse. Não vou dizer nunca mais. Gosto da cidade, construí relacionamentos aqui, mas, neste momento, não temos interesse nenhum em permanecer”.





