Rio Branco, AC,21 de junho de 2026 14:30
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“É uma honra e uma enorme alegria ter meu nome citado para essa composição”, diz Leonardo Melo, cogitado para vice de Mailza

“Um soldado é para servir”, diz pré-candidato Leonardo Melo

“No que o MDB precisar, podem contar comigo”. A frase vem sendo repetida como um mantra pelo engenheiro civil Leonardo Melo, 44 anos, filho mais velho do ex-governador Flaviano Melo, falecido em novembro de 2024. Flaviano faleceu de problemas respiratórios, após uma longa internação em São Paulo, depois de mais de 40 anos de política e de exercício dos mandatos como prefeito (por duas vezes), governador do Estado, de 1987 a 1989, senador da República, de 1990 a 1998, prefeito novamente de 2000 a 2002 e pelo menos quatro mandatos de deputado federal, de 2007 a 2023.

Leonardo, que é membro da executiva regional e do diretório nacional, está em uma verdadeira cruzada, andando pelos quatro cantos do estado, uma vez que é pré-candidato a deputado federal. No entanto, por causa da indefinição do MDB em indicar o candidato a vice-governador, passou a ser uma possibilidade, sobretudo porque seu nome uniria algumas forças políticas que estão se digladiando.

Além de ser emedebista raiz, o simbolismo de um integrante da família Melo reforça a força política construída ao longo de décadas. Portanto, a indicação é, sem dúvidas, uma peça essencial no cenário político do Estado, com um legado perdura e molda o nosso futuro.

A reportagem o encontrou em uma rua empoeirada na parte alta da cidade. Perguntado sobre a possível indicação, Leonardo nem titubeou: “É uma honra e uma enorme alegria ter meu nome citado para essa composição”, destacou o pré-candidato, que tem um perfil conciliador e moderado. Veja a entrevista:

Notícias da Hora – Porque o senhor entrou para a vida pública?

Leonardo Melo – O meu avô e o meu pai nunca tiveram o desejo de que os seus filhos entrassem para vida pública. Eu nunca ocupei tampouco concorri a cargos públicos. Existem muitas formas de contribuir com a sociedade, mas a política é a mais abrangente e efetiva. Ela é para devolver às pessoas aquilo que é delas, ou seja, é para servi-las. Esse é o seu único propósito. O MDB é uma instituição que se caracteriza pela firmeza na defesa dos interesses coletivos, principalmente no Acre, onde os seus militantes estão aí como testemunhas. Fomos responsáveis por obras de infraestrutura de caráter estadual e municipal, que não podem ser esquecidas.

Notícias da Hora – Por que o senhor é candidato a deputado federal? Aceitaria ser pré-candidato a vice-governador?

Leonardo Melo – Eu não sou candidato de mim mesmo. Aliás, ninguém é candidato de si mesmo, eu aprendi isso lá em casa muito cedo. Por isso, não sou candidato de mim mesmo. Eu sou candidato das pessoas. Então, se de porteiro do MDB a candidata presidente da República, o MDB precisar de mim, pode contar comigo, eu estou dentro. Aquelas pessoas que são candidatos e se lançam sozinhas para as pessoas seguirem a elas, querem o poder. Eu, na minha cabeça, represento a vontade das pessoas. Se as pessoas quiserem que eu seja candidato, eu sou candidato ao que elas quiserem. Serei candidato de um projeto. Não de um projeto pessoal, mas de um projeto partidário, que possa trazer benefícios para as pessoas. Um soldado é para servir. Se a missão for unir, estou pronto. Esse convite para ser pré-candidato a vice-governador é uma generosidade. Sinto-me profundamente lisonjeado.

Notícias da Hora – Da mesma forma que seu avô, o seu pai queria que os filhos fossem preparados para a vida. Que preparo era esse?

Leonardo Melo – A formação intelectual. Esse preparo é em relação ao que passei. Por ser engenheiro, por ter trabalhado na Queiroz Galvão, na CR Almeida, na Andrade Gutierrez, em meio a grandes obras como foi a do Rodoanel de São Paulo, por ter sido empresário e criado uma empresa no Canadá. Eu trabalhei em grandes obras, depois abri uma empresa e fui em frente. É uma empresa totalmente diferente da engenharia pesada. Enfim, eu me preparei na parte pessoal e na parte emocional. Eu nunca quis depender da política para viver, porque, se você depender da política para viver, você vai se tornar um cara dependente, que vai precisar de um dinheiro para pagar suas contas todo mês, e aí você vai ficar muito vulnerável aos cargos e a quem quiser, a quem puder te fornecer isso. O meu pai iria me dizer o seguinte: meu filho, a política é uma estrada difícil e foi difícil para ele, bem ao contrário dos que pensam que foi fácil. Ele foi prefeito, foi governador e exerceu outros cargos e hoje estou convicto de que o aneurisma que ele sofreu, o deixou praticamente cego de um olho e com dificuldades de locomoção, além de passar a depender de uma bengala para poder andar. Além de outras doenças que acabaram por matá-lo, têm muito a ver com tudo que ele viveu, da pressão na política, por ter passado mais de 20 anos acusado de uma coisa que ele não fez nem teve participação, a tal da conta Flávio Nogueira. Meu pai passou mais de 20 anos sendo chamado de ladrão para, nos 19 anos e 8 meses, o decano do STF dizer que ele não era, que ele não tinha nada a ver com aquela história e que foi vítima de uso político. É só pegar o voto do ministro e está tudo lá, ele dando meio que um puxão de orelha em todos os demais juízes por terem aceito aquilo. O ministro foi o Celso de Mello.

Notícias da Hora – Para que serve a política?

Leonardo Melo – Eu fui criado em um ambiente onde a principal razão da política era servir às pessoas. O meu avô, o meu tio Zé Melo e o meu pai são exemplos disso. Há 40 anos, por exemplo, o meu pai construiu a Fundação Hospitalar. Isso é um de servidão em forma de política pública.