Rio Branco, AC,23 de junho de 2026 15:43
Home / CIDADES / Outras notícias / “Morrer para Viver”: sobrevivente de acidente que o deixou tetraplégico lança livro e relata trajetória de fé, superação e recomeço

“Morrer para Viver”: sobrevivente de acidente que o deixou tetraplégico lança livro e relata trajetória de fé, superação e recomeço

Em uma noite marcada por emoção, testemunhos e gratidão, o bacharel em Direto e escritor Roger Augusto lançou, no domingo, 21, o livro Morrer para Viver: Queda, Redenção e Milagre, durante culto realizado na Igreja Batista Ágape, no Conjunto Universitário II, em Rio Branco.

A obra retrata a história de vida do autor, que sobreviveu a um grave acidente ocorrido em dezembro de 2017, quando fraturou a coluna cervical ao mergulhar em um açude na zona rural. O episódio o deixou tetraplégico e levou médicos a considerarem seu quadro incompatível com a vida.

Durante o lançamento, Roger emocionou os presentes ao relembrar a origem do livro. Segundo ele, a ideia surgiu ainda nos primeiros dias de internação, quando se recuperava na Unidade de Terapia Intensiva (UTI).

“Eu nunca imaginei escrever um livro, muito menos um livro sobre mim. Ainda no hospital, em fase aguda, conversando com meu irmão, surgiu o título. Quando ele perguntou qual seria o nome, eu respondi de imediato: ‘Morrer para Viver’. Foi algo que veio muito forte ao meu coração”, relatou.

Apesar da inspiração inicial, o projeto permaneceu guardado por anos. Roger contou que tentou escrever logo após deixar o hospital, mas não conseguiu desenvolver a narrativa.

“Hoje eu entendo por que não saiu naquela época. Eu precisava viver aquilo que estava escrevendo. Como contar uma história que eu ainda não tinha experimentado por completo? As lutas, as dores, as vitórias e as conquistas foram acontecendo ao longo dos anos. Só então o livro pôde nascer”, afirmou.

Acidente mudou completamente sua vida

Durante o testemunho, Roger relembrou o acidente ocorrido na véspera de Natal de 2017. Após passar o dia com familiares em uma propriedade rural, ele decidiu mergulhar em um açude recém-construído. Ao saltar de um trapiche, bateu a cabeça no fundo e sofreu uma grave lesão cervical.

“Quando bati a cabeça, senti um choque pelo corpo inteiro. Na mesma hora soube que tinha quebrado o pescoço. Eu estava consciente, mas não conseguia mexer nenhuma parte do corpo. Fiquei submerso até perder os sentidos”, contou.

Segundo ele, familiares conseguiram retirá-lo da água após perceberem que permanecia tempo demais submerso. Roger relatou que foi reanimado pelos próprios parentes antes mesmo da chegada do socorro.

“Minha mãe fazia respiração boca a boca enquanto meu irmão realizava as massagens cardíacas. Eles oravam e pediam a Deus que eu voltasse à vida. Depois de vários minutos, eu retornei”, disse.

Prognóstico era devastador

Após ser levado ao hospital, Roger passou por cirurgias e permaneceu internado por mais de cinco meses. Durante esse período, enfrentou infecções graves, pneumonia, colapso pulmonar, dependência de ventilação mecânica e um choque séptico que quase lhe custou a vida.

“O médico dizia que minha lesão era incompatível com a vida. Se eu sobrevivesse, segundo a literatura médica, eu só conseguiria mexer os olhos e dependeria de aparelhos para respirar pelo resto da vida”, recordou.

Contrariando os prognósticos, ele voltou a respirar sem auxílio mecânico, recuperou parte dos movimentos dos braços e retomou diversas atividades.

“A última palavra sempre é de Deus. Hoje eu falo, respiro sozinho e consigo movimentar os braços. Isso é motivo de gratidão todos os dias”, declarou.

Retorno aos estudos e formação em Direito

Após o período de recuperação, Roger decidiu retomar um sonho antigo: concluir a graduação em Direito. Ele contou que havia interrompido o curso anos antes, mas retornou às salas de aula em 2019, enfrentando novos desafios físicos e acadêmicos.

“Eu não sabia como faria as provas, os trabalhos ou as anotações. Mas recebi muito apoio dos colegas e professores. Quando vi meu primeiro boletim, só tinha notas altas. Foi uma surpresa para mim mesmo”, lembrou.

Ao concluir a graduação, Roger foi escolhido pelos colegas para ser o orador da turma. Posteriormente, também concluiu uma pós-graduação em Direito Penal e Processo Penal e atualmente cursa especialização na área de Inteligência Artificial.

Uma história real contada em forma de narrativa

Embora inspirado em sua própria trajetória, Roger optou por não escrever uma autobiografia tradicional. No livro, ele criou personagens fictícios para representar pessoas reais e adotou uma narrativa literária para tornar a leitura mais envolvente.

“Todos os acontecimentos são reais, mas os nomes foram alterados. Eu criei um personagem chamado Nilo para conduzir a história. Queria que o leitor se conectasse com a mensagem e não apenas com uma biografia”, explicou.

Segundo o autor, a obra aborda temas como fé, transformação pessoal, redenção, sofrimento e esperança.

“É uma história sobre queda, mas também sobre recomeço. Sobre morrer para uma vida antiga e aprender a viver de uma forma completamente nova”, resumiu.

Roger afirmou acreditar que sua trajetória ainda está apenas começando. “Eu nunca imaginei escrever livros. Hoje já tenho novos projetos em andamento. Tudo aconteceu de forma inesperada, mas creio que Deus ainda tem muitas coisas para realizar. Isso é apenas o começo. Quem tiver interesse, pode acessar meu site (rogeraugustoescritor.com.br). Todas as obras estão disponíveis”, frisou.