Rio Branco, AC,2 de julho de 2026 14:17
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Naluh Gouveia acende alerta e diz que movimentações feitas pelas secretarias de Indústria e de Agricultura são “extremamente suspeitas”

Ela aproveitou para criticar o financiamento público de eventos religiosos, como a Marcha para Jesus, realizada em maio deste ano, que contou com um aporte de R$ 2,4 milhões.

Ao votar pela manutenção da medida cautelar para manter suspenso os pagamentos relacionados à Festa do Trabalhador, realizada pelo governo do Estado, na ordem de R$ 2,2 milhões, a conselheira Naluh Gouveia, do Tribunal de Contas do Estado (TCE/AC), disse hoje (2) que as movimentações financeiras das secretarias de Indústria e de Agricultura, são “extremamente suspeitas”. Isso porque envolve altas quantias, com dispensa de licitação na maioria dos casos.

“E aqui, com todo o respeito. O que algumas secretarias estão fazendo, principalmente essa Secretaria da Indústria e a Secretaria de Agricultura, é extremamente suspeito. Suspeito! Valores imensos para shows que a pessoa vem aqui, canta e vai embora e não fica nada para o nosso Estado. Isso é um absurdo”, disse Naluh.

Em outro trecho, a conselheira acusou a Procuradoria Geral do Estado (PGE) de inércia diante cenários como a Festa do Trabalhador e a Marcha para Jesus, por exemplo. Para ela, esses recursos deveriam ir para as comunidades que moram nas periferias das cidades acreanas.

“Eu confesso, doutor Lucas, com todo respeito e carinho, que a Procuradoria está nos devendo como moradores do Acre, essa defesa do nosso Estado. O que tem acontecido nesse governo e em outros governos, essa situação dessas festas, é um absurdo. Agora mesmo nós tivemos uma festa, não sei bem o nome: Marcha para Jesus, caminhada para Jesus, alguma coisa para Jesus, de mais de R$ 2 milhões. Tenho certeza que se fosse para o bairro e perguntasse se aqueles R$ 2 milhões fosse para construir uma creche, fosse para fazer algum tipo de benefício, eu tinha certeza que a população iria escolher esse benefício e não marchar com Jesus, com dinheiro público. Você pode marchar com Jesus, você pode fazer suas atividades que as pessoas quiserem, não com o dinheiro público”, lembrou.

Na visão de Naluh Gouveia, o Estado deve se abster de financiar e promover festas religiosas, como a Marcha para Jesus, que este ano contou com a apresentação do show do cantor Talles Roberto.

“O nosso Estado é laico. Virou uma brincadeira. Temos uma governadora evangélica, então, todos os recursos vão para qualquer atividade que seja de evangélico. Posteriormente vamos ter outros candidatos e governadores que são católicos. ‘Vamos fazer atividades católicas’. Vamos ter, talvez, umbandista: ‘vamos fazer…’. Isso não pode. A Procuradoria, que defende o Estado do Acre, que defende a Constituição Brasileira, ela tem que defender a gente. O Estado é laico. Não pode R$ 2 milhões”, pontuou.