O trabalhador Júlio César de Oliveira, conhecido popularmente como Palhaço Alegria, divulgou um vídeo nas redes sociais na manhã desta quarta-feira (15) denunciando que teria sido agredido por policiais militares durante uma abordagem ocorrida na noite de terça-feira (14), em Rio Branco.
Nas imagens, Júlio aparece com o olho avermelhado e afirma ter sido atingido com spray de pimenta, além de receber socos, tapas e golpes de cassetete durante a ação policial.
Segundo ele, tudo aconteceu enquanto estava reunido com amigos em frente à própria residência, onde faziam um churrasco, consumiam bebidas alcoólicas e ouviam música.
“Quer dizer que uma pessoa de bem não pode mais se reunir com os amigos? A gente estava apenas comendo uma carne assada, tomando uma cerveja e ouvindo música. Agora não pode mais fazer isso que já vira criminoso?”, questionou.

Júlio também relatou que um homem identificado apenas como Thiago foi detido durante a ocorrência e, posteriormente, liberado. De acordo com ele, a prisão teria sido injustificada.
“Ele não fez nada. Apenas disse que estava no horário dele. Mesmo assim chegaram quatro viaturas e o levaram preso. Depois soltaram porque não encontraram nada de errado. Revistaram e acharam apenas um celular e dinheiro no bolso”, afirmou.
O trabalhador criticou a quantidade de policiais mobilizados para atender a ocorrência e comparou a ação a uma operação de combate ao crime organizado.
“Eu me senti como um bandido. Parecia que estavam enfrentando terroristas. Aqui só tinha trabalhador. Todo mundo ali trabalha e paga seus impostos”, disse.
Durante o relato, Júlio também afirmou que um dos policiais teria deixado a arma cair diversas vezes durante a abordagem, demonstrando, segundo ele, despreparo.
Outra acusação feita por ele é a de que uma mulher que registrava a ocorrência com o celular teve o aparelho derrubado e danificado pelos policiais.
“Ela estava apenas filmando. Todo mundo sabe que a população pode registrar uma abordagem policial. Mesmo assim quebraram o celular dela”, declarou.
Emocionado, Júlio afirmou que nunca respondeu a processos criminais e que sempre trabalhou honestamente para sustentar a família, vendendo pipoca e algodão-doce nos fins de semana.
“Eu nunca tive passagem pela delegacia. Trabalho a semana toda e, no fim de semana, vendo pipoca e algodão-doce. Não posso mais tomar uma cerveja na frente da minha casa sem ser tratado como criminoso?”, questionou.
Ao final do vídeo, ele disse que pretende levar o caso ao Poder Judiciário e responsabilizar os envolvidos.
“Isso não vai ficar assim. Levei paulada e socos no rosto sem ter feito nada. Nem meu pai nunca bateu na minha cara. Quero ver essa autoridade na audiência. Com uma arma na mão é fácil agir contra trabalhador. Eu vou buscar Justiça e não vou deixar isso passar”, concluiu.
NOTA DE ESCLARECIMENTO
A Polícia Militar do Acre (PMAC) esclarece que a ocorrência registrada na noite de segunda-feira, 14, no bairro João Eduardo II, teve início durante patrulhamento de rotina, quando uma guarnição constatou a obstrução da passagem de pedestres por objetos utilizados em uma confraternização realizada em via pública, além da utilização de equipamento de som em volume elevado.
A equipe policial orientou os presentes para que desobstruíssem a passagem e reduzissem o volume do som, determinações que inicialmente foram atendidas. No entanto, um homem que não era o responsável pela situação passou a intervir na abordagem, dirigindo ofensas e termos chulos aos policiais e desobedecendo às ordens legais para que se afastasse, motivo pelo qual recebeu voz de prisão pelo crime de desacato.
Durante a condução do envolvido, familiares e outras pessoas tentaram impedir a ação policial, resistindo às determinações da equipe e dificultando a prisão. Diante da escalada da ocorrência e da necessidade de restabelecer a ordem, foi solicitado apoio de outras guarnições. Como os presentes insistiam em desobedecer às ordens policiais e ofereciam resistência à intervenção, foi necessário o emprego de spray de pimenta, instrumento de menor potencial ofensivo previsto nos protocolos de uso diferenciado da força, utilizado em observância aos princípios da legalidade, necessidade, proporcionalidade e moderação. Após a intervenção, a situação foi controlada e o homem foi conduzido à Delegacia de Flagrantes.
A Polícia Militar do Acre reafirma que todas as suas ações são pautadas na legislação vigente, nos protocolos operacionais e no respeito aos direitos fundamentais. Esclarece, ainda, que eventuais condutas incompatíveis com a atuação policial serão apuradas pela Corregedoria da PMAC, com a devida observância do contraditório e da ampla defesa.
Assessoria de Comunicação da PMAC





