A motorista de carreta Jéssica Nascimento Montes afirma ter permanecido presa às ferragens por mais de duas horas e meia após um grave acidente envolvendo um caminhão de transporte internacional de cargas, ocorrido nas proximidades da cidade de Iberia, no Peru. Segundo ela, a demora no atendimento ocorreu porque equipes brasileiras de resgate não teriam recebido autorização imediata para entrar em território peruano.
Jéssica trabalha no transporte de cargas entre Brasil e Peru e, no momento do acidente, transportava uma carga de castanha ao lado do esposo, que também é motorista e funcionário da mesma empresa.
De acordo com o relato, o caminhão tombou durante a viagem e os dois ficaram à espera de socorro. Enquanto ela permanecia presa às ferragens, outros caminhoneiros que passavam pela rodovia tentaram prestar os primeiros atendimentos.
“Passei mais de duas horas e meia presa nas ferragens, gritando por socorro. Quem tentou me ajudar foram os próprios motoristas que estavam no local”, relatou.
Ainda segundo a motorista, equipes do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) e do Corpo de Bombeiros de Assis Brasil chegaram a ser acionadas, mas inicialmente não conseguiram cruzar a fronteira por falta de autorização das autoridades peruanas.
Conforme o relato, diante do impedimento, os socorristas retornaram a Assis Brasil para buscar apoio junto às autoridades policiais. Somente após essa intervenção teria sido concedida a liberação para que a equipe brasileira atravessasse a fronteira e realizasse o resgate.
“Os bombeiros voltaram à fronteira e só conseguiram passar porque houve intervenção da polícia. Se isso não tivesse acontecido, talvez eu e meu esposo ainda estivéssemos esperando socorro”, afirmou.
O caso levanta questionamentos sobre os protocolos de cooperação entre Brasil e Peru para atendimento de emergências em regiões de fronteira, especialmente em acidentes envolvendo brasileiros que trafegam diariamente pelo corredor internacional entre Assis Brasil e a cidade peruana de Iñapari.





