Rio Branco, AC, 24 de julho de 2026 16:10
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Tião Viana revela momento mais doloroso no seu governo: “Não dar conta de todo o décimo terceiro do funcionalismo”

O ex-governador do Acre, médico infectologista e professor Tião Viana, relembrou os momentos mais difíceis enfrentados durante sua gestão à frente do Governo do Estado em entrevista ao podcast Papo Informal, apresentado pelo jornalista Luciano Tavares, nesta quinta-feira, 23. A conversa também contou com a participação do jornalista Leonildo Rosas.

Ao ser questionado sobre qual teria sido o momento mais difícil de seu governo e de sua trajetória pessoal, Tião Viana afirmou que o episódio mais doloroso foi não conseguir pagar integralmente o 13º salário de todo o funcionalismo público.

Segundo o ex-governador, cerca de 25% dos trabalhadores ficaram sem receber naquele momento. Ele afirmou que priorizou o pagamento dos servidores com menores salários e dos trabalhadores terceirizados.

“O momento mais doloroso e mais difícil que eu passei foi quando eu tive que viver a realidade de não dar conta de todo o décimo terceiro do funcionalismo. Ali doeu”, declarou.

Tião Viana atribuiu parte das dificuldades financeiras enfrentadas no fim de sua administração à redução de repasses federais. De acordo com ele, o governo do então presidente Michel Temer teria deixado de repassar aproximadamente R$ 1,2 bilhão ao Acre em 2018. O ex-governador também mencionou recursos do Fundo Penitenciário que, segundo seu relato, não teriam sido liberados.

Viana recordou outras crises enfrentadas durante sua gestão. Entre elas, citou a chegada de milhares de imigrantes haitianos ao Acre, as grandes enchentes do Rio Madeira e do Rio Acre, além dos impactos da crise econômica e política nacional que marcou os últimos anos do governo Dilma Rousseff e o período posterior ao impeachment.

Outro episódio lembrado pelo ex-governador foi a chamada crise do combustível, quando o abastecimento do Acre chegou a ser ameaçado. Tião Viana afirmou que precisou buscar uma solução emergencial para garantir combustível para serviços essenciais, como ambulâncias e viaturas policiais.

Segundo o relato, diante da urgência, o governo mobilizou uma operação para trazer combustível pela fronteira. A carga chegou a ser parada pela Polícia Federal em Brasileia, mas, conforme Tião Viana, houve uma articulação em Brasília para a liberação do transporte.

“Ia faltar combustível para as ambulâncias, ia faltar combustível para a polícia. Ia ser o caos no Estado”, afirmou.

O ex-governador disse ainda que aprendeu com o pai, a quem chamou de uma referência de humildade, honra e trabalho, a enfrentar momentos de dificuldade sem abandonar suas responsabilidades.

Ao falar sobre o período em que esteve à frente do Estado, Tião Viana também lamentou, segundo sua avaliação, a falta de maior apoio de parte da bancada federal do Acre.

“A bancada federal deixou dívida de atenção com o meu governo”, declarou.

A entrevista também teve um momento de caráter pessoal quando Tião Viana recordou a morte do pai, em 2017, durante o período em que ainda era governador. Emocionado, contou que estava em Brasília quando recebeu a notícia de que o pai havia passado mal e precisado ser entubado.

“Eu queria demais estar do lado dele. Fiquei na UTI até ele fazer a passagem dele”, relatou.