Rio Branco, AC, 25 de julho de 2026 16:13
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Será mesmo o militar? Bocalom teria escolhido Adonis para vice, mas mantém silêncio; por que a cautela?

O ex-prefeito de Rio Branco e pré-candidato ao Governo do Acre, Tião Bocalom (PSDB), teria escolhido o Sargento Adonis para ocupar a vaga de vice-governador em sua chapa nas eleições de 2026. A informação ganhou força nos bastidores políticos e passou a ser divulgada como uma definição do grupo tucano. O que chama atenção, no entanto, é que Bocalom ainda não se manifestou oficialmente para confirmar o nome do militar.

A ausência de uma confirmação pública levanta uma questão inevitável nos bastidores: por que a cautela? Bocalom vinha afirmando, em declarações anteriores, que a escolha do vice seria anunciada somente durante a convenção partidária. Até o momento, portanto, o nome de Adonis aparece como uma escolha atribuída ao pré-candidato, mas ainda sem o carimbo público do próprio Bocalom.

A cautela pode ter razões políticas. Em uma eleição majoritária, a definição do vice não é apenas uma questão formal. O nome escolhido pode representar uma região, agregar grupos políticos, facilitar alianças e ajudar a ampliar a estrutura eleitoral da candidatura. Por isso, uma confirmação antecipada pode fechar portas para negociações que ainda estejam em andamento.

Nesse cenário, Adonis surge como um nome que se encaixa na estratégia de expansão territorial da candidatura de Bocalom. Com trajetória política construída em Cruzeiro do Sul, o militar possui uma base eleitoral no Vale do Juruá, região considerada estratégica para quem pretende construir uma candidatura competitiva ao Governo do Acre.

Nas eleições municipais de 2020, Adonis disputou a Prefeitura de Cruzeiro do Sul e terminou a eleição em terceiro lugar, com 9.077 votos, o equivalente a 21,35% dos votos válidos. O desempenho o colocou entre os nomes que conseguiram construir uma presença política relevante no segundo maior colégio eleitoral do estado.

É justamente essa conexão com o Juruá que pode explicar a força do nome de Adonis nos bastidores. Bocalom tem sua trajetória eleitoral diretamente ligada a Rio Branco e à Capital acreana. Ao lado de um candidato a vice com origem política no interior, a chapa poderia tentar equilibrar sua presença territorial e ampliar o diálogo com eleitores e lideranças de outras regiões.

A eventual escolha também ocorre em meio a uma reorganização das forças políticas que pretendem disputar o Governo do Acre em 2026. Adonis rompeu recentemente com o grupo político do senador Alan Rick (Republicanos), que também se movimenta para a disputa pelo Palácio Rio Branco. A aproximação com Bocalom, caso confirmada, representaria uma mudança importante no tabuleiro político e uma nova composição entre forças que até pouco tempo estavam em campos diferentes.

Por isso, a escolha do vice pode ter um significado que ultrapassa a composição eleitoral. Adonis pode representar para Bocalom a possibilidade de ampliar sua presença no Juruá; Bocalom, por sua vez, pode oferecer ao militar uma posição de protagonismo na disputa estadual. A eventual aliança seria, portanto, uma via de mão dupla.

Mas permanece a principal questão: se a escolha já teria sido feita, por que Bocalom ainda não confirmou?

Uma das possibilidades é que o tucano esteja aguardando o momento político considerado mais adequado para fazer o anúncio. A convenção partidária pode ser utilizada como palco para apresentar a chapa completa e transformar uma informação de bastidor em um ato político oficial.

Outra hipótese é que a definição, embora encaminhada, ainda dependa de ajustes políticos e partidários. Nesse caso, Bocalom evitaria confirmar publicamente o nome antes que todas as negociações estivessem concluídas. Em política, especialmente durante a formação de chapas majoritárias, a diferença entre uma escolha encaminhada e uma decisão oficial pode ser significativa.