Estado aparece entre as menores taxas do país, mas números revelam crescimento de uma modalidade criminosa que migrou para celulares, redes sociais e aplicativos
O crime mudou de endereço e passou a caber na palma da mão. Enquanto os registros de roubos tradicionais apresentam queda no Brasil, o estelionato cometido por meios eletrônicos avança e já se tornou uma das principais ameaças para quem utiliza celulares e a internet. No Acre, foram registrados 2.664 casos de estelionato eletrônico em 2025, segundo dados apresentados pelo Centro de Liderança Pública (CLP), com base no Anuário Brasileiro de Segurança Pública.
A taxa acreana foi de 280,6 ocorrências para cada 100 mil habitantes, colocando o Estado em uma faixa intermediária no cenário nacional. O número absoluto, porém, mostra a dimensão do problema: milhares de acreanos foram vítimas de golpes aplicados por meio de redes sociais, ligações telefônicas, aplicativos de mensagens e outros ambientes digitais.
Em todo o país, foram contabilizados mais de 2,2 milhões de registros de estelionato eletrônico em 2025, o equivalente a aproximadamente 258 golpes por hora. O avanço ocorre na contramão dos crimes patrimoniais tradicionais, que registraram redução. Roubos de veículos, residências e cargas caíram cerca de 20%, enquanto os roubos contra transeuntes recuaram 23%.
O cenário ajuda a explicar por que os criminosos estão cada vez mais migrando para o ambiente digital. O estelionato eletrônico oferece, em muitos casos, alto potencial de lucro e menor exposição do autor do crime, que pode agir de qualquer lugar, utilizando identidades falsas e mecanismos tecnológicos para dificultar sua localização.
Dos mais de 2,2 milhões de casos registrados no país, apenas cerca de 63 mil resultaram em ações penais. Até o fim de 2025, menos de 5 mil pessoas estavam presas por esse tipo de crime, segundo os dados apresentados pelo CLP.
No ranking nacional, Santa Catarina lidera a taxa de estelionatos eletrônicos, com 917,3 ocorrências por 100 mil habitantes, seguida pelo Distrito Federal, com 856,2. Na outra ponta está o Amazonas, com 29,2 casos por 100 mil habitantes.
A comparação entre os estados, no entanto, exige cautela. São Paulo, Rio de Janeiro e Ceará não forneceram dados específicos para o indicador de estelionato eletrônico, o que evidencia dificuldades na padronização e na consolidação das estatísticas de segurança pública no país.
Para o cidadão, o alerta é direto: o golpe pode estar a apenas um clique de distância. A criminalidade deixou de depender exclusivamente das ruas e passou a explorar a confiança das vítimas por meio de telas, mensagens e ligações. No Acre, os mais de 2,6 mil registros de 2025 mostram que, embora a taxa estadual esteja distante das maiores do país, o problema já faz parte da realidade da segurança pública local.





