Há lugares que são feitos de paredes, salas e quadras. Outros são construídos, sobretudo, de histórias. A trajetória da APAE Rio Branco, que completou 45 anos de fundação na quinta-feira, 30, se confunde com a vida de centenas de famílias que encontraram na instituição não apenas atendimento especializado, mas também acolhimento, convivência e a possibilidade de construir novos caminhos.
A celebração do aniversário foi realizada na quadra esportiva da entidade, reunindo alunos, professores, familiares, funcionários, voluntários, representantes de instituições públicas e autoridades. Em meio às apresentações e aos momentos de confraternização, a data serviu também para lembrar uma história iniciada em julho de 1981 e construída ao longo de décadas por pessoas que dedicaram parte de suas vidas à defesa dos direitos e à inclusão de pessoas com deficiência intelectual e múltipla.

À frente da instituição, o presidente Lázaro Barbosa destacou que a comemoração representa mais do que uma marca no calendário. Para ele, os 45 anos simbolizam uma trajetória de trabalho permanente voltado a quem, muitas vezes, encontra dificuldades para acessar serviços essenciais.
“Estamos aqui para comemorar 45 anos de muita disposição para ajudar quem mais precisa, que são as pessoas com deficiência intelectual e múltipla”, afirmou.

Segundo Lázaro, a APAE mantém uma atuação que reúne diferentes áreas de atendimento. A instituição conta atualmente com mais de 300 usuários, que passam por serviços de educação especial, saúde e assistência social. Apenas na área educacional, são mais de 200 alunos.
O trabalho, explica o presidente, busca preencher lacunas que ainda existem na rede de atendimento e oferecer às famílias um espaço de suporte contínuo.

A dimensão desse trabalho pode ser percebida na rotina de quem vive a instituição diariamente. Para os alunos, a APAE não é apenas um local de estudo ou atendimento. É também um espaço de pertencimento.
Durante a comemoração, o aluno Leonardo Dine Soares falou sobre a alegria de participar das atividades e das apresentações preparadas para a celebração. Em sua fala, marcada pela espontaneidade, revelou o carinho que sente pelo espaço que considera sua casa.

“Eu fico muito alegre. Isso aqui é a nossa casa. Eu fico muito feliz”, disse.
A declaração traduz, em poucas palavras, uma relação que vai além da sala de aula. Para muitos alunos e familiares, a instituição se tornou parte da própria história de vida.
A professora Simone da Cruz ressaltou que a inclusão só se torna efetiva quando envolve não apenas os alunos, mas também as famílias e a sociedade.

“Para nós é gratificante essa inclusão com os nossos alunos, a participação da sociedade, da família e dos pais. Isso mostra que está todo mundo lutando por uma sociedade melhor, mais feliz, mais alegre e com justiça”, afirmou.
Segundo Simone, muitos alunos chegam à instituição carregando experiências de exclusão e dificuldades vivenciadas em uma sociedade que ainda precisa avançar na garantia de direitos. O papel da escola, nesse contexto, é também mostrar que cada estudante tem direito à dignidade, à educação e às mesmas oportunidades de desenvolvimento.

A atuação da APAE também alcança as famílias. A professora contou que algumas mães permanecem na instituição e participam de atividades de confecção de tapetes, aprendendo um ofício e fortalecendo vínculos dentro da própria comunidade escolar.
O vereador Samir Bestene destacou o impacto do trabalho realizado pela entidade e afirmou que a inclusão social é uma das pautas que tem defendido no Parlamento Municipal.
“É emocionante participar dessa solenidade. É bonito ver os alunos fazendo essa apresentação, vendo o desenvolvimento deles na educação, na qualidade de vida e na interação com as pessoas”, declarou.

Samir também chamou a atenção para a importância do trabalho voluntário e afirmou que a instituição possui demanda por profissionais dispostos a contribuir com as atividades desenvolvidas.
A celebração reuniu ainda representantes das diferentes esferas do poder público. O secretário de Estado de Assistência Social e Direitos Humanos, João Paulo Silva e Silva, ressaltou que o trabalho da APAE ultrapassa o atendimento direto às pessoas com deficiência e alcança todo o núcleo familiar.

“É uma instituição séria, honrada, que tem um histórico de acompanhar não só as pessoas com deficiência, mas também as famílias, as mães, os pais, os avós e os tios”, afirmou.
Para o secretário, a presença de representantes do Estado, da Prefeitura e da Câmara Municipal durante a comemoração simboliza a necessidade de união em torno das políticas de inclusão e proteção social.
O presidente da Câmara Municipal de Rio Branco, vereador Joabe Lira, também destacou a importância da instituição e classificou o trabalho desenvolvido pela APAE como essencial para a inclusão social.

“Estamos aqui prestigiando porque sabemos desse trabalho essencial de inclusão social e de acompanhamento dessas crianças que precisam desses atendimentos”, afirmou.
A participação do poder público, entretanto, é apontada como parte de uma rede que precisa ser permanente. O secretário municipal de Assistência Social e Direitos Humanos, Ivan Ferreira, reforçou que a Prefeitura de Rio Branco pretende manter a parceria com a instituição, inclusive por meio de apoio financeiro e de termos de colaboração.
Segundo ele, a administração municipal trabalha para garantir recursos destinados à manutenção de serviços como alimentação e contratação de mão de obra, além de buscar a aplicação de emendas parlamentares destinadas à entidade.

A história dos 45 anos da APAE Rio Branco, portanto, não cabe apenas em números. Ela está presente nos alunos que encontram ali um lugar de convivência; nas famílias que recebem apoio; nos professores que transformam o cotidiano em aprendizado; e nos profissionais e voluntários que ajudam a manter uma rede de atendimento essencial.
Na quadra esportiva onde a festa aconteceu, a celebração reuniu passado e presente. Enquanto os alunos apresentavam suas atividades e comemoravam mais um aniversário da instituição, a comunidade que construiu essa trajetória reafirmava uma mensagem que permanece atual: inclusão não se faz apenas com discursos, mas com presença, cuidado, políticas públicas e oportunidades.
Quarenta e cinco anos depois de sua fundação, a APAE Rio Branco segue como parte da história de muitas famílias acreanas. Uma história que continua sendo escrita, dia após dia, por pessoas que, dentro e fora da instituição, acreditam que uma sociedade verdadeiramente inclusiva começa quando ninguém é deixado para trás.





