O acreano Rafael Brito de Sá morreu após enfrentar uma longa e delicada batalha contra uma aplasia medular gravíssima, doença rara que compromete a capacidade da medula óssea de produzir células dsangue. A confirmação da morte provocou forte comoção nesta sexta-feira entre familiares, amigos e pessoas que acompanharam sua luta nas últimas semanas.
Durante o período de tratamento, Rafael recebeu uma grande corrente de solidariedade no Acre. Campanhas de doação de sangue, plaquetas e incentivo ao cadastro de doadores de medula óssea foram organizadas em Rio Branco, enquanto amigos e familiares mobilizavam grupos de oração pela recuperação do acreano.
Diante da gravidade da doença e sem compatibilidade com a irmã para a realização imediata de um transplante de medula, Rafael seguiu para São Paulo em busca de tratamento especializado. Ele foi acompanhado no Hospital Beneficência Portuguesa, onde iniciou um protocolo médico para tentar controlar a enfermidade.
Rafael e a família chegaram à capital paulista no dia 11 de julho. Poucos dias depois, ele foi internado e iniciou o tratamento. O quadro, entretanto, sofreu uma piora após o surgimento de uma infecção generalizada.
Com o comprometimento da função respiratória, Rafael precisou ser intubado e levado para uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI). Mesmo diante da situação crítica, ele chegou a apresentar resposta positiva aos antibióticos, alimentando a esperança da família e dos amigos.
Uma nova complicação, porém, tornou o quadro ainda mais delicado. Durante os procedimentos para redução da sedação, exames identificaram um sangramento intracraniano. Diante do risco, a equipe médica realizou uma cirurgia de emergência.
Na época, a esposa de Rafael, Caroline Dantas, relatou a dificuldade enfrentada pela família diante da decisão pelo procedimento, que apresentava riscos elevados em razão das condições clínicas do paciente.
Após a cirurgia, Rafael conseguiu superar o período inicial considerado crítico e permaneceu em coma induzido, enquanto a equipe médica acompanhava sua condição neurológica e os indicadores relacionados à recuperação da medula e aos níveis sanguíneos.
Apesar de todos os esforços médicos e da mobilização em torno de sua recuperação, as complicações acabaram interrompendo sua luta.
Acreanos se mobilizaram durante tratamento
A batalha de Rafael ultrapassou o ambiente hospitalar e mobilizou centenas de pessoas no Acre. Uma campanha realizada junto ao Hemoacre convocou voluntários para a doação de sangue e plaquetas, além de estimular novos cadastros de possíveis doadores de medula óssea.
Paralelamente, amigos, familiares e conhecidos promoveram correntes de oração e compartilharam mensagens de apoio nas redes sociais. Com a confirmação da morte, as publicações deram lugar às despedidas e às lembranças dos momentos vividos ao lado de Rafael.
O jornalista Willamis Franca, amigo de Rafael, lamentou a perda e recordou especialmente a maneira como foi acolhido por ele em um momento difícil.
“Sem acreditar ainda que um amigo tão querido como o Rafael tenha partido tão novo, tão cedo. Agora eu entendo o porquê daquele dito popular que diz que os bons morrem jovens. Um homem cheio de vida, um amigo querido, um príncipe”, escreveu.
Willamis também destacou um gesto de Rafael que, segundo ele, permanecerá marcado em sua memória.
“Desde o início que eu o conheci, demonstrou amizade, respeito e carinho. Me deu a mão no momento que eu mais precisei. Não existe demonstração de amizade maior do que aquele que, quando um amigo precisa, estende a mão. E isso vai ficar marcado no meu coração. Descanse em paz, meu amigo.”
Rafael Brito de Sá deixa a esposa, Caroline Dantas, e um filho pequeno. Sua morte encerra uma batalha acompanhada por inúmeros acreanos e deixa uma história marcada pela mobilização, solidariedade e carinho daqueles que estiveram ao seu lado.





