Rio Branco, AC, 21 de agosto de 2026 17:25
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“Ela pega a mochila, entra no carro e vai feliz”: na APAE Rio Branco, mãe encontra acolhimento e dignidade para a filha

Na manhã de um dia comum, há um pequeno ritual que diz muito mais do que parece

Gabrieli da Costa Martins, de 20 anos, pega a mochila, entra no carro e segue para a escola. Para muita gente, seria apenas mais uma ida à aula. Para a mãe, Gisleine da Costa Martins, cada saída de casa carrega um significado especial: a certeza de que a filha está indo para um lugar onde é recebida com carinho, cuidado e respeito.

“Ela pega a mochila, embarca no carro. Então, ela sempre demonstrou ser muito feliz de vir para cá”, conta Gisleine.

É nessa felicidade aparentemente simples que uma mãe encontra uma resposta para uma das perguntas que mais importam: Gabrieli está bem?

A família, que veio do Sul do país e morava em São Paulo, chegou a Rio Branco no início de 2026, após a transferência do pai, Leandro Martins, de 47 anos, militar. Gisleine, de 42 anos, é professora. Juntos, eles também são pais de Matheus da Costa Martins, de 26 anos, militar, e de Davi Alexandre, de apenas 6 anos.

Quando chegaram ao Acre, havia uma preocupação que acompanhava a mudança de Estado: encontrar para Gabrieli um espaço onde ela pudesse continuar sendo estimulada, cuidada e, sobretudo, acolhida.

A resposta veio na APAE Rio Branco

A família já conhecia o trabalho da instituição, presente em diferentes partes do país, e decidiu procurar atendimento assim que se estabeleceu na Capital acreana. Seis meses depois, Gisleine fala sobre a experiência com a emoção de quem percebe mudanças que nem sempre cabem em números ou relatórios.

“Fazem seis meses que a gente procurou a APAE e conseguiu a vaga. Nós estamos muito felizes com o desenvolvimento da Gabrieli, com tudo que está acontecendo nesses seis meses”, relata.

Mas talvez o maior indicador desse desenvolvimento não esteja em uma atividade específica ou em uma conquista isolada. Está no sorriso de Gabrieli e na disposição com que ela se prepara para sair de casa.

Para Gisleine, a felicidade da filha em ir à escola é uma das maiores provas de que a família encontrou o lugar certo.

“Todos os dias a gente consegue enxergar na Gabi a felicidade dela de vir para essa escola. A gente fica encantada com isso, porque sabe que ela está sendo muito bem acolhida aqui.”

Mais do que atendimento, acolhimento

Na Semana Nacional da Pessoa com Deficiência Intelectual e Múltipla, histórias como a de Gabrieli ajudam a colocar luz sobre uma realidade que muitas vezes permanece distante dos olhos de quem não convive diariamente com a deficiência.

Para Gisleine, falar sobre a APAE é falar sobre acolhimento. “Para mim, a APAE é uma instituição que dá dignidade para as pessoas com deficiência.”

A palavra não aparece por acaso

Dignidade, para uma família que chega a uma cidade nova, também significa encontrar portas abertas. Significa ter profissionais dispostos a ouvir. Significa saber que a filha será tratada com respeito desde o momento em que entra pela instituição.

Gisleine destaca que esse cuidado começa antes mesmo da sala de aula. “É acolhimento, é carinho, é cuidado de todos os profissionais que estão aqui dentro. Desde a secretaria, todo o cuidado que têm com a gente quando a gente vem buscar essa ajuda, dos professores que estão com ela todos os dias, dos profissionais que atendem, de todas as pessoas que estão aqui dentro.”

É uma percepção que vai além do serviço prestado. É o sentimento de pertencimento.

E talvez seja justamente aí que esteja a força de uma instituição como a APAE: não apenas oferecer atendimento, mas construir um ambiente em que a pessoa com deficiência possa ser reconhecida por aquilo que é capaz de fazer, aprender, sentir e viver.

Uma história que também fala de outras famílias

Gisleine sabe que sua família não é a única a atravessar desafios, descobertas e conquistas.

Por isso, ela acredita que a Semana Nacional da Pessoa com Deficiência Intelectual e Múltipla precisa servir não apenas para lembrar uma data, mas para aproximar a sociedade dessas pessoas e de suas famílias. Ela defende que famílias, sejam elas formadas por pessoas com ou sem deficiência, conheçam mais de perto esse universo.

“A Semana vai trazer para as pessoas, em geral, o conhecimento a respeito das pessoas com deficiência. Então, é importante que todas as pessoas, famílias típicas ou famílias atípicas, participem desse momento.”

Conhecer, nesse caso, é o primeiro passo para transformar

Conhecer o trabalho desenvolvido. Conhecer as dificuldades enfrentadas pelas famílias. Conhecer as potencialidades das pessoas com deficiência. E compreender que inclusão não se faz apenas com discursos, mas com políticas públicas, oportunidades, profissionais preparados e participação da sociedade.

Para Gisleine, a APAE já realiza um trabalho importante, mas pode fazer ainda mais quando recebe o apoio de todos. “A APAE já faz um trabalho lindíssimo com elas, mas pode ter mais ajuda das pessoas. Se todo mundo conhecer o trabalho da APAE, que ela faz, eu tenho certeza de que a vida dessas pessoas vai melhorar muito mais.”

No fim, a história de Gabrieli talvez possa ser contada por aquela mochila que ela mesma faz questão de carregar. Ela representa uma rotina. Uma conquista. Um caminho. E, para sua mãe, representa também algo maior: a tranquilidade de ver a filha sair de casa feliz, sabendo que encontrará, do outro lado da porta, pessoas dispostas a cuidar, ensinar e acolher.

Em uma semana dedicada à conscientização sobre a deficiência intelectual e múltipla, a história de Gabriele lembra que inclusão também mora nas pequenas coisas.

Na mochila sobre os ombros. No sorriso antes de sair. Na confiança de uma mãe. E na certeza de que, quando existe acolhimento, a dignidade deixa de ser apenas uma palavra e passa a fazer parte da vida.