Rio Branco, AC, 14 de outubro de 2026 16:23
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Adeus, Ayres: o Acre devolve em saudade os milhares de boas-noites que recebeu de você

Durante 35 anos, Ayres Rocha entrou na casa de milhares de acreanos para contar as notícias do dia. Seu rosto tornou-se familiar, sua voz ganhou espaço na rotina das famílias e seu tradicional “boa noite” passou a fazer parte da história da televisão no Acre. Agora, a despedida é outra: o jornalista morreu aos 62 anos, deixando uma trajetória que se confunde com a memória do telejornalismo acreano.

Nascido em Rio Branco, em 6 de novembro de 1963, José Ayres de Souza Rocha chegou à televisão em 1988, quando ainda trabalhava como bancário. O que começou como uma oportunidade nos bastidores da antiga TV Acre transformou-se em uma carreira de mais de três décadas. Em 1995, assumiu a apresentação do Jornal do Acre 2ª Edição (JAC2), programa que se tornaria sua principal marca profissional.

Ao longo dos anos, Ayres acompanhou as transformações do estado diante das câmeras. Noticiou acontecimentos políticos, tragédias, conquistas e mudanças que marcaram gerações. Mais do que apresentar o noticiário, construiu uma relação de familiaridade com o público, resultado de uma presença constante e de uma vida dedicada à comunicação.

Em fevereiro de 2016, o jornalista mostrou que, por trás da postura diante das câmeras, havia alguém profundamente tocado pelas histórias que contava. Ao apresentar uma reportagem sobre a morte de um bebê em uma unidade de pronto atendimento de Rio Branco, emocionou-se ao vivo. A cena repercutiu nas redes sociais e revelou o peso humano de uma profissão que, tantas vezes, coloca seus profissionais diante da dor alheia.

Dois anos antes, em 2014, Ayres havia recebido o diagnóstico de câncer de próstata. Depois de enfrentar o tratamento e permanecer afastado do trabalho por um período, retornou à bancada em 2015. Ao compartilhar sua experiência, também ajudou a chamar a atenção para a importância da prevenção.

Em 2019, chegou à bancada do Jornal Nacional, durante as comemorações dos 50 anos do telejornal. Foi um momento de reconhecimento para um profissional que construiu sua história a partir da Amazônia e levou o nome do Acre a uma das principais vitrines do jornalismo brasileiro.

Em novembro de 2024, depois de 35 anos na Rede Amazônica, Ayres se despediu da apresentação do JAC2. A última edição foi marcada pela emoção e pelos agradecimentos aos colegas e telespectadores. Era o encerramento de um ciclo profissional que acompanhou diferentes fases da televisão e da própria sociedade acreana.

A aposentadoria, porém, não apagou sua presença da memória do público. Para muitos acreanos, Ayres continuou sendo aquele jornalista que aparecia todas as noites na tela, conduzindo as notícias com familiaridade. É justamente essa proximidade que torna sua partida tão significativa.

A morte de Ayres Rocha deixa uma lacuna na comunicação do Acre e encerra uma trajetória marcada pelo compromisso com a informação. Seu legado permanece nas reportagens, nas coberturas e na história que ajudou a contar ao longo de décadas.

Jornalistas passam pela tela, mas alguns permanecem na memória de quem os acompanhou. Ayres foi um desses profissionais. Durante anos, despediu-se dos telespectadores com um cumprimento simples, repetido milhares de vezes e incorporado à rotina de tantas famílias.

Boa noite, Ayres. Desta vez, é o Acre que se despede.