Rio Branco, AC, 1 de outubro de 2026 18:58
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Brasil cria 972 mil empregos formais até julho, mas comércio fecha período no negativo

O mercado de trabalho brasileiro abriu 972,2 mil vagas formais entre janeiro e julho de 2026, segundo o Novo Caged, do Ministério do Trabalho e Emprego. O número é 29% menor que o registrado no mesmo período de 2025 e reflete um cenário de menor criação de postos em parte dos principais setores da economia.

Apesar disso, o desemprego permanece em nível baixo. A taxa de desocupação ficou em 5,3% no trimestre encerrado em agosto, de acordo com a PNAD Contínua, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O rendimento médio real dos trabalhadores foi estimado em R$ 3.777, permanecendo estável em relação ao trimestre anterior.

O contingente de trabalhadores por conta própria também ficou praticamente inalterado, em 26,1 milhões. Entre os trabalhadores domésticos, o número permaneceu próximo de 5,5 milhões nos dois períodos analisados.

Entre os setores, os serviços concentraram a maior parte das contratações, com 591,5 mil novas vagas nos sete primeiros meses do ano. Ainda assim, o resultado ficou 15% abaixo do registrado em 2025.

A indústria abriu 154 mil postos no período, queda de 40% na comparação anual. Na agropecuária, foram 51,4 mil vagas, redução de 51%.

A construção civil foi a exceção. O setor gerou 180,4 mil empregos formais entre janeiro e julho, alta de 2% sobre o mesmo período de 2025.

No comércio, o resultado foi negativo, principalmente por causa do varejo. O segmento fechou os primeiros sete meses com saldo de 51,7 mil vagas a menos. No mesmo período do ano passado, havia registrado a criação de 44,1 mil postos.

Atacado e comércio de veículos automotores continuaram com saldo positivo, mas também registraram volumes menores de contratações. A geração de vagas caiu 48% no atacado e 44% no segmento de veículos em relação a 2025.

O desempenho do comércio ocorre em meio a um ambiente de crédito mais caro, maior inadimplência e comprometimento da renda das famílias. Esses fatores reduzem a capacidade de consumo, principalmente na aquisição de bens de maior valor, como móveis e eletrodomésticos.

Os dados do emprego acompanham o comportamento das vendas. Em julho, o comércio varejista registrou queda de 0,8% em relação a junho, na série com ajuste sazonal, segundo a Pesquisa Mensal de Comércio (PMC), do IBGE.

O segmento de móveis e eletrodomésticos teve retração de 4,9% no mês. Conforme o IBGE, foi a maior queda desde dezembro de 2023, quando as vendas haviam recuado 6,6%.