O avanço do El Niño sobre a região Norte acende um alerta para o Acre, que aparece entre os Estados que mais sentem os efeitos da estiagem neste segundo semestre de 2026. Em meio ao agravamento do cenário climático, o governo federal anunciou a liberação de R$ 64 milhões em crédito extraordinário para ações emergenciais destinadas a reduzir os impactos do fenômeno em diferentes regiões do país.
Do total, R$ 40 milhões serão destinados ao Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS) para a aquisição e distribuição de alimentos da agricultura familiar por meio do Programa de Aquisição de Alimentos (PAA). Outros R$ 24 milhões serão destinados à Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) para o fornecimento emergencial de alimentos, água potável e outros insumos essenciais em terras indígenas.
A medida foi formalizada por meio da Medida Provisória nº 1.392/2026, assinada pelo presidente da República em exercício, Geraldo Alckmin.
O cenário no Acre merece atenção especial. Dados mais recentes do Monitor de Secas, divulgado pela Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA), mostram que 100% do território acreano registrava seca em agosto.
Além da abrangência total, houve agravamento da intensidade do fenômeno. Segundo a ANA, a seca grave e a seca moderada voltaram a ser identificadas no estado, configurando a situação mais severa registrada no Acre desde dezembro de 2024. O estado também apresentou, em agosto, a maior severidade de seca entre todas as unidades da Federação.
O quadro representa uma mudança significativa em relação ao início do ano. Em janeiro, o Acre havia ficado livre de seca pela primeira vez desde a entrada do estado no Monitor de Secas, em 2022. A partir de maio, entretanto, o fenômeno voltou a aparecer e avançou rapidamente pelo território acreano.
A situação acreana ocorre dentro de um cenário mais amplo de preocupação com os recursos hídricos da Amazônia. A ANA afirma que os efeitos do El Niño devem provocar redução das chuvas e elevação das temperaturas no Norte e no Nordeste, enquanto a Região Sul pode enfrentar aumento das chuvas e das vazões dos rios.
Em setembro, a agência apresentou um plano específico para preparação e enfrentamento dos impactos do fenômeno sobre os recursos hídricos até março de 2027. As projeções indicavam 100% de probabilidade de permanência do El Niño entre setembro e novembro, além de possibilidade superior a 80% de continuidade até o trimestre de março a maio de 2027.
Para o Acre, o agravamento da seca pode aumentar a pressão sobre o abastecimento de água, a produção rural, as comunidades mais dependentes dos recursos naturais e os sistemas de monitoramento e resposta a eventos extremos.
Embora o crédito extraordinário tenha abrangência nacional, parte dos recursos poderá atender diretamente populações afetadas pela redução da produção agrícola e pela escassez de água.
Os R$ 40 milhões destinados ao MDS serão utilizados para comprar alimentos da agricultura familiar e distribuí-los a comunidades impactadas. Já os R$ 24 milhões destinados à Funai serão aplicados em ações emergenciais de assistência a povos indígenas, incluindo fornecimento de água potável e alimentos.
Além da liberação dos recursos, o governo federal lançou a plataforma gov.br/elnino, reunindo informações produzidas pelos órgãos oficiais sobre o fenômeno, seus possíveis impactos regionais e as medidas de prevenção e resposta.
A estrutura reúne orientações para estados e municípios e informações sobre monitoramento climático, prevenção de desastres e assistência às populações vulneráveis.
De acordo com os dados apresentados pelo governo, a estrutura federal de resposta conta com 272 bases operacionais, 6.686 profissionais, 49 aeronaves e 4.410 brigadistas federais registrados em julho de 2026.





