Procurado pela reportagem, o arquiteto Jorge Almeida negou as acusações feitas por sua ex-companheira e afirmou que não houve descumprimento da decisão judicial que regulamenta a convivência com o filho.
RIO BRANCO (AC) – A estudante de Medicina Laylla Soster denunciou que o ex-companheiro, identificado como Jorge Almeida, teria descumprido uma decisão judicial que regulamenta a convivência com o filho do casal, uma criança diagnosticada com Transtorno do Espectro Autista (TEA), nível 1 de suporte. Segundo ela, além de se recusar a devolver o menino no horário estabelecido pela Justiça, o pai também desrespeitaria de forma recorrente o regime de visitas definido pela Vara da Família.
De acordo com Laylla, existe uma decisão judicial estabelecendo que o filho permanece sob seus cuidados durante a semana e passa finais de semana alternados com o pai, que deve buscá-lo na sexta-feira, após a escola, e devolvê-lo até as 18 horas do domingo.
Entretanto, segundo a estudante, o acordo não vem sendo cumprido regularmente.
“Já aconteceu de ele passar três ou quatro finais de semana sem sequer procurar ou buscar nosso filho. Ele pega a criança quando quer, sem respeitar o que ficou determinado pela Justiça”, afirmou.
Rotina da criança depende da mãe
Laylla relata que toda a rotina do filho está sob sua responsabilidade.
Segundo ela, por se tratar de uma criança autista, o menino necessita de terapias, consultas médicas, atividades esportivas e acompanhamento constante.
“Sou eu quem organiza tudo. Levo para as terapias, escola, futebol, consultas. Minha mãe também me ajuda bastante. Toda essa responsabilidade fica comigo”, disse.
Criança não foi devolvida
Segundo a estudante, neste fim de semana o pai levou o filho mesmo não sendo o período previsto no calendário de convivência.
Ela afirma que autorizou a visita para evitar conflitos entre as partes.
Inicialmente, segundo o relato, Jorge Almeida informou que devolveria a criança apenas na segunda-feira.
Posteriormente, porém, teria enviado mensagens informando que faria a entrega às 15 horas do domingo.
Laylla afirma que, diante dessa informação, reorganizou seus compromissos pessoais.
“O período em que meu filho está com o pai é o único momento que tenho para resolver assuntos pessoais e até ter um pouco de lazer. Como ele havia informado que devolveria apenas na segunda-feira, marquei um compromisso para a noite.”
Segundo ela, durante todo o domingo o ex-companheiro teria enviado diversas mensagens para sua mãe, que é quem mantém contato com ele, já que Laylla afirma tê-lo bloqueado em todos os meios de comunicação.
Ainda conforme o relato, após uma discussão entre ele e a avó materna da criança, Jorge Almeida teria decidido não devolver o filho.
Polícia Militar foi acionada
A estudante afirma que, diante do descumprimento da decisão judicial, tentou contato por meio do pai de Jorge Almeida, concedendo um prazo para que a criança fosse devolvida.
Sem sucesso, acionou a Polícia Militar
Ela relata que foi até a residência do ex-companheiro acompanhada por policiais e apresentou a decisão judicial que regulamenta a convivência.
Segundo Laylla, os militares informaram que não poderiam ingressar na residência nem retirar a criança à força sem ordem judicial específica.
Ainda conforme a estudante, Jorge Almeida teria informado aos policiais que não devolveria o filho naquele momento e que somente faria isso no dia seguinte.
Relatos de supostos maus-tratos
Outro ponto levantado por Laylla diz respeito ao ambiente em que o filho permanece durante as visitas.
Ela afirma que, sempre que retorna da casa do pai, a criança relata sofrer agressões por parte da madrasta.
Segundo a mãe, o menino afirma que a companheira do pai bate nele, inclusive na região da barriga.
Laylla acrescenta que a mulher é proprietária de uma creche.
As alegações são graves, mas, até o momento, não há informação de decisão judicial ou investigação concluída que confirme os supostos maus-tratos.
Histórico de violência doméstica
A estudante também relata que o relacionamento com Jorge Almeida foi marcado por episódios de violência doméstica.
Segundo ela, chegou a solicitar medida protetiva com base na Lei Maria da Penha.
Laylla afirma que sofreu agressões físicas durante a gravidez e também após o nascimento do filho, ainda no período de resguardo.
De acordo com ela, esses episódios foram determinantes para o fim do relacionamento.
Mesmo assim, afirma que sempre buscou preservar a convivência entre pai e filho.
“Nunca quis impedir o contato deles. Sempre procurei agir pensando no melhor para o meu filho.”
Medidas judiciais
Após o episódio, Laylla informou que pretende procurar a Vara da Família para requerer o cumprimento da decisão judicial, inclusive com eventual atuação de oficial de justiça para garantir a restituição da criança.
Ela também informou que pretende ingressar com pedido de guarda unilateral, sustentando que o filho manifesta resistência em permanecer na casa do pai e que os fatos ocorridos demonstrariam o descumprimento das determinações judiciais.
O outro lado
Procurado pela reportagem, o arquiteto Jorge Almeida negou as acusações feitas por sua ex-companheira e afirmou que não houve descumprimento da decisão judicial que regulamenta a convivência com o filho.
Segundo ele, o período em que a criança permaneceu sob seus cuidados estava previsto no acordo homologado pela Justiça.
“Não estou descumprindo nada. Esse final de semana é meu com meu filho. Existe um processo judicial e nele consta tudo. Não existe descumprimento. Estou dentro da lei e totalmente dentro dos direitos legais. E assim seguirei”, afirmou.
Jorge Almeida informou ainda que registrou um boletim de ocorrência sobre o episódio e que pretende discutir o caso com seu advogado para avaliar as medidas cabíveis.
“Fiz um boletim de ocorrência na delegacia. Nunca deixarei filho meu sofrer agressão de quem quer que seja. Vou estar sentando com meu advogado hoje para estudar a situação”, declarou.
Quanto às acusações feitas pela mãe do menor que seu filho poderia está sofrendo agressões por parte da sua madrasta o arquiteto também contestou, de forma indireta, as alegações relacionadas à segurança e ao bem-estar da criança, afirmando que não permitirá que o filho seja vítima de qualquer tipo de agressão.





