Delegado Alex Dany afirma que Francisco Valadares é apontado como mandante do crime e revela que investigadores já identificaram pessoas que teriam intermediado a contratação do assassino.
A Polícia Civil do Acre confirmou que Lucival, preso por suspeita de executar a médica Aline, confessou a autoria do assassinato durante interrogatório realizado nesta sexta-feira (6). A informação foi divulgada pelo delegado Alex Dany, durante coletiva de imprensa realizada em Epitaciolândia. Segundo o investigador, o crime teria sido encomendado por R$ 40 mil, dos quais R$ 10 mil teriam sido destinados ao executor.
De acordo com o delegado, Lucival foi interrogado após o cumprimento do mandado de prisão e admitiu ter sido o responsável direto pela morte da médica. A investigação aponta o advogado Francisco Valadares Neto, que permanece hospitalizado em estado grave, como mandante do assassinato.
“Ele confessa a autoria do crime como sendo o executor da morte da médica”, declarou Alex Dany.
Uma das principais revelações da coletiva foi a existência de outras pessoas que teriam participado da negociação para a execução da vítima. Conforme o delegado, a Polícia Civil já identificou possíveis intermediários, mas ainda trabalha para esclarecer a participação individual de cada um deles.
“Temos como mandante o advogado, que hoje se encontra hospitalizado, e como executor Lucival, que foi preso. Nesse meio-campo, estamos fechando a investigação e já temos identificadas algumas pessoas, não apenas uma, mas algumas pessoas envolvidas nessa intermediação”, explicou.
Alex Dany ressaltou que a Polícia Civil trabalha com uma única linha investigativa quanto à autoria intelectual do assassinato, apontando Francisco Valadares como responsável por determinar a morte da médica.
Apesar dos avanços, a motivação do crime ainda não foi completamente esclarecida. Segundo o delegado, o advogado não pôde ser interrogado devido ao estado de saúde.
A investigação também considera os antecedentes de ameaças e perseguição relatados em procedimentos anteriores envolvendo a vítima. O delegado informou que Aline chegou a solicitar uma medida protetiva diretamente ao Poder Judiciário, por meio eletrônico.
Questionado sobre uma possível rejeição amorosa como motivação do assassinato, Alex Dany afirmou que ainda não existem elementos suficientes para confirmar essa hipótese.
Outro ponto abordado foi a possível ligação do executor com uma organização criminosa. Segundo o delegado, Lucival declarou que integrava uma facção, mas teria sido excluído do grupo na manhã do dia 3. Conforme o relato do próprio investigado, a organização não aceitaria crimes de mando ou pistolagem.
Durante a coletiva, a policial civil Shaiane, que participou da investigação e da prisão, revelou que uma carta foi apreendida na residência do advogado Francisco Valadares. Segundo ela, o documento poderá contribuir para esclarecer a dinâmica do crime e a participação dos envolvidos.
O delegado também detalhou a situação em que Francisco Valadares foi encontrado desacordado em seu apartamento. Policiais penais entraram no imóvel após identificarem ausência de movimentação registrada pela tornozeleira eletrônica utilizada pelo advogado.
Posteriormente, durante o cumprimento de mandado de busca e apreensão, os investigadores localizaram medicamentos, um pó com características semelhantes às da cocaína e um computador aberto com pesquisas relacionadas à morte da médica. A natureza da substância encontrada ainda depende de confirmação pericial.
Sobre o estado de saúde do advogado, Alex Dany informou que a Polícia Civil acompanha sua situação hospitalar e que existe um mandado de prisão em aberto. Caso seja necessária uma transferência para outro estado, a instituição adotará as providências para garantir o cumprimento da ordem judicial, respeitando as decisões médicas.
O delegado destacou que a prisão do executor representa um avanço importante, mas não encerra as investigações.
“A gente apresenta essa resposta intermediária, não é a resposta final. Pretendemos avançar nos trabalhos investigativos para trazer uma resposta completa e concluir esse caso no tempo previsto em lei”, afirmou.
A Polícia Civil continuará as diligências para identificar todos os participantes da negociação, esclarecer a motivação do assassinato e reunir os elementos necessários à conclusão do inquérito.





