O julgamento do servidor público Gladson Hoffmann da Silva terminou com a absolvição da acusação de homicídio pela morte do empresário acreano Maurício Lisboa, proprietário do tradicional Hotel Imperador Galvez, em um caso que gerou repercussão e revolta entre familiares da vítima.
A decisão foi tomada pelo Tribunal do Júri de Florianópolis, em Santa Catarina, quatro anos após o acidente ocorrido na madrugada de 29 de maio de 2022, na Avenida Beira-Mar Norte, uma das principais vias da capital catarinense.
De acordo com a denúncia do Ministério Público, Gladson participava de um racha quando o veículo que conduzia atingiu violentamente o carro onde estavam Maurício Lisboa, de 72 anos, e sua esposa, Jaira Matos. O automóvel das vítimas estava parado em um semáforo no momento da colisão.
Imagens do acidente, exibidas durante o julgamento, mostraram o exato momento do impacto. A batida foi tão intensa que Maurício Lisboa morreu ainda no local. Jaira Matos sofreu ferimentos e precisou ser socorrida por uma equipe do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu).
Inicialmente, o servidor público foi denunciado por homicídio doloso — quando se assume o risco de produzir o resultado morte — em razão da participação em uma disputa automobilística ilegal. Por essa razão, o caso foi submetido ao Tribunal do Júri.
No entanto, após a análise das provas e dos quesitos apresentados aos jurados, o Conselho de Sentença decidiu absolver o réu da acusação de homicídio. Apesar disso, ele foi condenado pelos crimes de lesão corporal praticada contra as vítimas e por participação em racha.
A pena foi fixada em seis anos e oito meses de prisão. Além disso, a Justiça determinou a suspensão da Carteira Nacional de Habilitação (CNH) do réu pelo período de dois meses e 20 dias.
A decisão chamou atenção porque o júri reconheceu a responsabilidade do acusado pelos ferimentos causados na colisão e pela participação na corrida ilegal, mas não o responsabilizou criminalmente pela morte do empresário.
Maurício Lisboa era uma figura conhecida no Acre por ter sido proprietário do Hotel Imperador Galvez, um dos empreendimentos mais tradicionais da Capital acreana.
O resultado do julgamento, entretanto, dividiu opiniões. Enquanto a defesa considerou que a decisão respeitou o entendimento dos jurados, familiares e pessoas próximas à vítima lamentaram a absolvição da acusação de homicídio, argumentando que a participação em um racha resultou diretamente na morte do empresário.





