Rio Branco, AC, 6 de julho de 2026 12:56
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Operação que investiga desvio de medicamentos completa seis meses sem conclusão das investigações

Seis meses após a deflagração da operação que apura o suposto desvio de medicamentos da rede pública estadual de saúde, ainda não há conclusão do inquérito policial nem divulgação de novos desdobramentos sobre o caso, que envolve insumos destinados ao tratamento de pacientes com câncer, hemodiálise e outras terapias de alta complexidade.

Informações obtidas pela reportagem indicam que a caminhonete Amarok apreendida durante as investigações teria pertencido ao primo de um membro do auto escalão do estado que, à época, ocupava a chefia do setor de transporte da Saúde. O veículo teria sido posteriormente negociado com um homem identificado como Valdecir, apontado nas investigações como responsável pelo transporte de medicamentos que, supostamente, seriam desviados e destinados a um comerciante conhecido como “Velho da Sobral”, único investigado preso durante a operação.

Na ocasião, a Secretaria de Estado de Saúde do Acre (Sesacre) informou que a investigação foi solicitada pela própria pasta após a identificação de indícios de furtos de medicamentos e insumos em unidades da rede estadual.

Em entrevista coletiva concedida no período em que a operação foi realizada, o então secretário Pedro Pascoal afirmou que as irregularidades identificadas já provocavam impactos no abastecimento das unidades de saúde.

“O Estado se planejava para fazer aquela aquisição, aquela quantidade específica de medicamento, e nunca era suficiente para as patologias, doenças, diagnósticos e, enfim, para o consumo dos nossos pacientes, das nossas unidades de saúde. E isso deu um start na investigação”, declarou.

Decorridos seis meses desde o início das apurações, permanecem questionamentos sobre o andamento do procedimento investigativo, entre eles: qual a participação dos demais citados nos autos, se houve ampliação das diligências e quais medidas foram adotadas para identificar eventuais beneficiários do esquema investigado.

Entre os medicamentos supostamente desviados estariam remédios de alto custo e insumos considerados essenciais para pacientes em tratamento oncológico, pessoas submetidas à hemodiálise e outros usuários do sistema público de saúde que dependem da regularidade no fornecimento desses produtos.

Procurada pela reportagem, a Polícia Civil do Acre informou que o inquérito continua em andamento. Segundo a instituição, os elementos probatórios apreendidos ainda estão sendo analisados e pessoas apontadas como supostamente envolvidas já foram interrogadas.

Até o momento, conforme a Polícia Civil, não há conclusão do procedimento investigativo nem definição acerca de eventuais indiciamentos.

A corporação acrescentou que, por se tratar de investigação em curso, outras informações não serão divulgadas neste momento, com o objetivo de preservar o andamento das diligências.

Passados seis meses da operação, permanecem sem resposta pública questões relacionadas à identificação dos responsáveis pelo suposto desvio, ao eventual prejuízo causado aos cofres públicos, ao número de pacientes afetados e aos possíveis beneficiários do esquema investigado.