Rio Branco, AC, 8 de agosto de 2026 14:19
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Quase 10 terras indígenas do Acre vivem sob à ameaça do crime organizado de forma mais presente, mostra estudo

Dados do Índice de Vulnerabilidade ao Crime Organizado (IVCO), do Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) mostram que oito terras indígenas acreanas vivem sob à ameaça do crime organizado, com indícios de atividades ilícitas considerados ‘moderado alto’. Ou seja, territórios utilizados como rota do narcotráfico, por exemplo, por meio dos rios.

Recentemente, lideranças do povo Ashaninka denunciaram a invasão de criminosos armados que tentavam intimidar a comunidade. O território Ashaninka fica na fronteira do Brasil com o Peru. O país vizinho é um dos maiores produtores de cocaína da América Latina.

Os territórios mais ameaçados são dos Kampa e dos Arara do Rio Amônia, em Marechal Thaumaturgo. Já em Feijó, as áreas sob ameaça das facções criminosas são os territórios Kampa e dos povos isolados.

Na outra ponta do Acre, em Assis Brasil e parte de Sena Madureira, os Mamoadates também vivem sob o medo.

Em Santa Rosa do Purus e Manoel Urbano, a tensão é registrada nas terras dos povos Kaxinawá e Kulina, localizadas no alto Rio Purus, também fronteira com o Peru.

Também há registro nos territórios dos povos Jaminawá do Igarapé Preto e dos povos Nukini, em Mâncio Lima este último.

No contexto da Amazônia, o Índice contribui para qualificar o diagnóstico sobre os territórios mais expostos a essas pressões, especialmente em áreas marcadas por conflitos fundiários, degradação ambiental, proximidade com faixas de fronteira e presença de povos indígenas isolados ou de recente contato. Ao reunir essas dimensões em uma plataforma visual e analítica, o índice permite identificar padrões de vulnerabilidade, orientar ações estratégicas e apoiar a formulação de políticas públicas de proteção territorial, desenvolvimento alternativo sustentável e enfrentamento às economias ilícitas.