Ser deputado estadual no Acre representa um custo para os cofres públicos que vai muito além do salário recebido diretamente pelo parlamentar. O subsídio mensal de cada integrante da Assembleia Legislativa do Acre (Aleac) chegou a R$ 34.774,64 em fevereiro de 2026, conforme escalonamento previsto na Lei Estadual nº 4.136/2023.
A Aleac é formada por 24 deputados estaduais, eleitos para mandatos de quatro anos.
O valor de R$ 34.774,64 não é uma estimativa. É o subsídio oficialmente estabelecido pela legislação estadual. A Lei nº 4.136 fixou aumentos escalonados: R$ 29.469,99 em janeiro de 2023; R$ 30.943,54 em abril daquele ano; R$ 31.948,49 em fevereiro de 2024; R$ 33.448,49 em fevereiro de 2025; e, finalmente, R$ 34.774,64 desde fevereiro de 2026.
Só o salário representa mais de R$ 1,6 milhão em quatro anos
Considerando o valor atual do subsídio e mantendo-o constante durante 48 meses, cada deputado receberia R$ 1.669.182,72 em subsídios ao longo de um mandato completo.
Multiplicado pelos 24 parlamentares, o valor chega a aproximadamente R$ 40,06 milhões apenas em subsídios, sem considerar encargos, verbas de gabinete, indenizações, diárias, estrutura administrativa ou outras despesas relacionadas ao funcionamento da Assembleia.
Se forem acrescentados quatro pagamentos equivalentes ao subsídio a título de 13º salário, o total individual exclusivamente em remuneração chegaria a aproximadamente R$ 1,81 milhão em quatro anos. Nesse cenário, os 24 parlamentares representariam cerca de R$ 43,4 milhões em subsídios e 13º salários.
Esse cálculo, porém, não deve ser confundido com o custo integral de cada mandato.
O salário é apenas uma parte da conta
A legislação estadual prevê que os deputados tenham estrutura própria para o exercício do mandato. A Lei Complementar nº 352, posteriormente alterada, estabelece a existência de verba de gabinete, destinada ao custeio com nomeação e remuneração de assessores parlamentares, e de verba de natureza indenizatória, voltada à manutenção das atividades dos gabinetes. Desde alteração feita em 2024, os valores dessas verbas passaram a ser definidos por resolução da Mesa Diretora.
A própria Aleac explica que a verba indenizatória não é salário adicional. Trata-se de recurso destinado ao reembolso de despesas vinculadas à atividade parlamentar, mediante regras e comprovação documental. Entre os gastos previstos estão aluguel e manutenção de escritórios de apoio, combustível, deslocamentos oficiais, comunicação, divulgação e outros serviços relacionados ao mandato.
É justamente nesse ponto que a conta fica mais complexa — e exige que os números sejam analisados com base nos pagamentos efetivamente realizados, e não apenas em estimativas.
R$ 5,5 milhões por deputado: estimativa, não valor oficial
Uma estimativa de R$ 115 mil mensais por deputado, somando salário, estrutura de gabinete e despesas parlamentares, produziria uma conta de R$ 5,52 milhões por parlamentar em 48 meses.
O cálculo matemático está correto:
R$ 115 mil × 48 meses = R$ 5,52 milhões.
O problema está em apresentar esse número como se fosse o custo oficial e fixo de cada deputado.
Nas fontes oficiais consultadas, a Aleac confirma a existência das verbas de gabinete e indenizatória, mas não estabelece, na legislação pesquisada, um valor único de R$ 80 mil mensais que possa ser automaticamente somado ao salário de todos os deputados. A legislação determina que esses montantes sejam definidos pela Mesa Diretora.
Por isso, o valor de R$ 5,52 milhões deve ser apresentado jornalisticamente como uma simulação baseada em uma despesa média mensal de R$ 115 mil, e não como custo oficial comprovado de cada parlamentar.
Se essa média fosse efetivamente confirmada pelos dados de execução financeira da Aleac, a manutenção dos 24 gabinetes durante quatro anos chegaria a R$ 132,48 milhões.
A diferença entre o salário e o custo real do mandato é justamente o ponto que merece atenção no acompanhamento das contas públicas.
O cidadão não paga apenas o contracheque de R$ 34,7 mil. Há uma estrutura administrativa e financeira destinada a permitir o funcionamento de cada gabinete. Parte desses recursos é utilizada para remunerar assessores; outra parte pode ser empregada, mediante as regras estabelecidas, em despesas necessárias ao exercício da atividade parlamentar.
A questão central, portanto, não é apenas quanto cada deputado recebe, mas quanto custa manter cada mandato funcionando durante quatro anos e quais despesas efetivamente são realizadas com dinheiro público.
Para chegar ao número exato, seria necessário cruzar mês a mês os dados do Portal da Transparência da Aleac, incluindo subsídios, folha de assessores, verbas indenizatórias, diárias, ajudas de custo e demais despesas atribuídas aos gabinetes.
O que já é possível afirmar, com base na legislação, é que R$ 34.774,64 é apenas o subsídio mensal atual. O custo total do mandato é maior e depende da execução das demais despesas.
A conta também mostra uma diferença importante entre remuneração do parlamentar e custo do mandato. Misturar os dois conceitos pode inflar ou reduzir artificialmente os números.
Em tempos de cobrança por eficiência, transparência e qualidade dos serviços públicos, saber quanto custa cada cadeira do Legislativo é mais do que uma curiosidade contábil. É uma informação necessária para que o eleitor possa comparar o dinheiro destinado à estrutura política com os resultados efetivamente entregues à população.





