Entre debates sobre política, produção rural e os desafios enfrentados por moradores da região de fronteira, um encontro simples acabou se tornando o momento mais simbólico da passagem de Tião Bocalom pelo Alto Acre. Longe dos discursos e das reuniões partidárias, o pré-candidato ao Governo do Acre encontrou no domingo, 19, uma história marcada pelo tempo: a do agricultor Adão Martins Ferreira, que completou 100 anos de vida no dia 18 de julho.
Morador tradicional da região, seu Adão recebeu Bocalom em casa, ao lado da esposa, Laura Pereira de Oliveira, de 85 anos, dos filhos, netos e familiares. O encontro teve clima de homenagem e memória, com lembranças de uma amizade construída ao longo de quase duas décadas.
Bocalom fez questão de destacar a relação antiga com a família e afirmou que a visita tinha um significado especial por representar o reconhecimento à trajetória de um homem que acompanhou diferentes momentos da história do Acre.
“Fizemos questão de vir pessoalmente parabenizar o senhor por esse centenário. O senhor sempre me recebeu com respeito e carinho na sua casa. Conheço sua família desde 2006, e só tenho gratidão por essa amizade. Que Deus continue abençoando o senhor e nos conceda a graça de chegar aos 100 anos com essa lucidez e essa memória”, declarou.
Aos 100 anos, seu Adão demonstrou disposição e boa memória ao relembrar o primeiro encontro com Bocalom e momentos vividos ao longo dos anos. O abraço entre os dois acabou resumindo o tom da agenda: mais do que uma passagem política, uma visita marcada por vínculos construídos no interior do Acre.
A história do centenário chamou atenção justamente por ocorrer em meio a uma agenda voltada à aproximação com comunidades rurais e lideranças da região. O Alto Acre, uma das áreas mais estratégicas do estado pela proximidade com a Bolívia, tem sido um dos territórios onde Bocalom busca fortalecer sua presença política antes da disputa eleitoral de 2026.

Antes da homenagem a seu Adão, Bocalom participou de uma série de compromissos em Brasiléia e Epitaciolândia. Entre eles, uma reunião com famílias de brasileiros que vivem na Bolívia e possuem dupla nacionalidade.
O grupo relatou dificuldades relacionadas ao acesso a linhas de crédito para financiar a produção rural. O tema dialoga com uma das principais bandeiras defendidas pelo pré-candidato: o fortalecimento do setor produtivo e a ampliação do apoio ao agronegócio.
Bocalom afirmou que mudanças na legislação federal seriam necessárias para permitir maior acesso dessas famílias às políticas de financiamento.

“Essas famílias produzem, geram emprego e movimentam a economia, mas precisam ter acesso às oportunidades que hoje lhes são negadas”, afirmou.
Em entrevista a uma rádio local, o pré-candidato também destacou o potencial econômico da região, citando tanto a agricultura familiar quanto a produção em maior escala.
A agenda seguiu com a participação em uma missa na Comunidade São Cristóvão, no quilômetro 20 do Ramal da Estrada Velha. Depois, Bocalom participou de uma confraternização organizada pelo pecuarista Mário Maffi e pelo Grupo de Tradições Gaúchas do Acre, evento que há mais de 40 anos reúne produtores e famílias da região.
O encontro reforçou uma das áreas onde Bocalom tem buscado construir discurso político: a defesa do agronegócio como caminho para geração de emprego e renda.

“O Acre é um estado rico, produtor, e produzir é a única forma de gerar emprego, renda e desenvolvimento”, disse.
Ao encerrar a agenda no Alto Acre, com uma visita ao empresário Fernando da Peladeira e à esposa, Francinete, Bocalom deixou a região após uma série de encontros que misturaram política, produção e relações pessoais.
Mas foi a imagem de um homem centenário, sentado ao lado da família e relembrando histórias de uma vida inteira, que acabou dando o tom mais humano da passagem do pré-candidato pelo interior. Em uma disputa marcada por articulações e alianças, a visita a seu Adão lembrou que, no Acre, a política também passa pelas memórias e pelos laços construídos ao longo do tempo.






