A produção como ponto de partida para enfrentar os principais problemas do Acre. Essa é uma das principais bandeiras apresentadas por Tião Bocalom na campanha ao governo do Estado. Ao lado do candidato ao Senado Eduardo Velloso, ele visitou, na manhã desta quinta-feira, uma empresa de hidroponia em Rio Branco e aproveitou a agenda para defender uma mudança na lógica econômica do estado: produzir mais, gerar empregos e reduzir a dependência de recursos enviados por Brasília.
O empreendimento visitado pelo candidato utiliza técnicas de cultivo sem solo e produz cerca de 45 toneladas de hortaliças por período de produção, o equivalente a aproximadamente 230 mil maços de produtos como alface, couve, cheiro-verde, coentro e jambu. A atividade também mantém 37 postos de trabalho.
O cenário serviu de exemplo para o discurso de Bocalom, que tenta colocar o setor produtivo no centro de sua proposta de governo. Para ele, não basta prometer investimentos em áreas como saúde, educação, segurança e infraestrutura sem discutir de onde virão os recursos para financiar essas políticas.

“Não adianta você só ficar falando que vai resolver saúde, educação e infraestrutura. E cadê o dinheiro?”
Na avaliação do candidato, a resposta passa pelo fortalecimento da economia local, principalmente do setor agropecuário. A ideia apresentada por Bocalom é ampliar a produção dentro do estado, estimular novos negócios e fazer com que parte maior do dinheiro gerado permaneça circulando no Acre.
“O nosso projeto é gerar essa riqueza. E como é que a gente gera essa riqueza? No grande milagre da terra.”
Bocalom também defendeu maior atenção aos pequenos e médios produtores rurais. O argumento é que o Acre ainda possui espaço para ampliar a produção de alimentos que atualmente chegam de outros estados, reduzindo a saída de dinheiro da economia local.

“Temos que apoiar realmente o homem do campo: comer o arroz do Acre, o feijão do Acre, tomar o leite do Acre, comer o tomate do Acre. Daí o dinheiro fica aqui.”
A proposta também inclui ampliar a produção destinada a outros mercados. O café foi citado pelo candidato como exemplo de cadeia produtiva com potencial para gerar receita nova para o estado por meio das exportações.
“Se a gente produzir café para exportar, o dinheiro novo vem, circula e todo mundo tira um pedacinho dele.”
A tese defendida por Bocalom é que uma economia mais dinâmica teria reflexos diretos sobre a capacidade do poder público de investir em serviços básicos. Nesse modelo, a produção não aparece apenas como uma política específica para o campo, mas como uma estratégia para aumentar emprego, renda e arrecadação.

“Nós temos que fortalecer a economia do Acre para não ficar só dependendo do dinheiro do governo federal.”
Durante a agenda, o candidato também mencionou iniciativas voltadas à agricultura familiar e aos pequenos produtores. Segundo Bocalom, um dos projetos citados atende 1.306 famílias com ações que incluem análise e correção do solo, preparação das áreas e assistência técnica para o cultivo de cacau e café.
A proposta, segundo ele, é ampliar a capacidade produtiva das propriedades e transformar investimentos no campo em geração de renda. “Estamos investindo em quem produz para que a riqueza fique aqui no estado do Acre.”

A ideia resume o conceito que Bocalom tenta associar ao slogan de sua campanha, “Produzir para Empregar”: fazer da produção rural e empresarial uma espécie de engrenagem para movimentar a economia, criar postos de trabalho e ampliar a autonomia financeira do Acre.
Ao defender esse caminho, o candidato também recupera uma linha de discurso que marcou parte de sua trajetória política, citando experiências administrativas em Acrelândia e na Prefeitura de Rio Branco como referências de uma gestão voltada à produção e à utilização de recursos próprios.





