Proteger mulheres em situação de violência não deveria depender de portas que se abrem apenas pela metade. Quando ela decide romper o silêncio, cada minuto importa, cada atendimento pode fazer diferença e cada falha na rede de proteção pode representar um novo risco.
É a partir dessa perspectiva que o candidato ao governo do Acre Tião Bocalom (Federação PSDB/Cidadania) propõe a criação do Programa Escudo Rosa, uma iniciativa que, segundo seu plano de governo, pretende integrar diferentes áreas do poder público para ampliar a proteção às mulheres vítimas de violência.
A proposta parte de uma ideia simples: a mulher não pode ser obrigada a peregrinar de serviço em serviço para encontrar proteção. Segurança pública, Justiça, assistência social e saúde deverão atuar de maneira articulada, desde o primeiro atendimento até o acompanhamento das medidas de proteção.
O programa também prevê ações de prevenção e educação, com o objetivo de enfrentar a violência antes que ela se transforme em mais uma história de medo, silêncio e perda.
Um dos principais eixos do Escudo Rosa é o uso de tecnologia para acompanhar situações de risco. A proposta prevê ferramentas capazes de auxiliar no monitoramento de homens submetidos a medidas protetivas ou identificados como agressores, ampliando a capacidade do Estado de acompanhar os casos.
Na visão apresentada por Bocalom, tecnologia não deve ser apenas sinônimo de câmeras, dados ou sistemas. Ela precisa estar a serviço de pessoas — sobretudo de quem, muitas vezes, precisa de proteção justamente quando está mais vulnerável.

A proposta estadual também se apoia em experiências desenvolvidas durante a gestão de Bocalom na Prefeitura de Rio Branco, especialmente na área de segurança tecnológica. Na capital, o sistema de videomonitoramento foi ampliado com centenas de câmeras e recursos de inteligência artificial para auxiliar na identificação de pessoas e veículos.
Agora, a intenção do candidato é levar essa lógica para uma política específica de proteção às mulheres.
“Nós precisamos fazer a tecnologia trabalhar a favor das mulheres. Não adianta a gente ter uma medida protetiva se não consegue acompanhar o que está acontecendo. Com o Escudo Rosa, nós queremos integrar as instituições, melhorar o atendimento e usar a tecnologia para proteger quem está em situação de risco”, afirma Bocalom.
O programa proposto pelo candidato também coloca a prevenção no centro da estratégia. A ideia é desenvolver ações educativas e de conscientização capazes de enfrentar comportamentos violentos e fortalecer uma cultura de respeito às mulheres.
A proposta pretende, assim, unir três frentes: atendimento, proteção e prevenção.
Mais do que reagir quando a violência já aconteceu, a estratégia defendida por Bocalom busca construir uma rede capaz de identificar riscos, acompanhar casos e oferecer respostas mais rápidas às vítimas.
Bocalom afirma ainda que a valorização das mulheres deve atravessar diferentes áreas da administração pública e da sociedade. Ele cita a presença feminina crescente em segmentos historicamente dominados por homens, como o transporte e a construção civil.





