Rio Branco, AC,11 de junho de 2026 21:50
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Bocalom diz que interior foi deixado para trás e propõe novo modelo de desenvolvimento para o Acre

Durante participação no podcast Papo Informal, apresentado pelo jornalista Luciano Tavares nesta quinta-feira, 11, o ex-prefeito de Rio Branco e pré-candidato ao Governo do Acre, Tião Bocalom, fez uma ampla análise sobre a realidade dos municípios acreanos e defendeu uma atuação mais efetiva do Estado para impulsionar o desenvolvimento do interior.

Ao ser questionado sobre as mudanças observadas nos municípios ao longo de sua trajetória política — que inclui mandatos como prefeito de Acrelândia e de Rio Branco, além de passagens pelo governo estadual e três candidaturas ao Palácio Rio Branco — Bocalom confirmou que pretende disputar novamente o comando do Estado.

“Fui candidato a governador três vezes. Vou para a quarta agora”, afirmou.

Segundo ele, embora alguns municípios tenham registrado avanços nos últimos anos, muitos ainda enfrentam dificuldades estruturais que limitam seu crescimento. Na avaliação do ex-prefeito, faltou uma presença mais forte do governo estadual no interior, principalmente em áreas estratégicas.

“Alguns municípios melhoraram, outros ficaram mais estáveis. O que eu volto a insistir é que faltou muita presença do governo do Estado. Há muitos anos o Estado não tem uma presença mais efetiva no interior, além das suas obrigações constitucionais”, declarou.

Bocalom destacou que muitas prefeituras ainda enfrentam dificuldades financeiras decorrentes de passivos trabalhistas acumulados ao longo de décadas. Para ele, os gestores municipais acabam atuando com recursos limitados e sem condições de resolver sozinhos problemas históricos.

“Tem prefeitura que vai levar décadas para quitar encargos trabalhistas. Isso acaba sendo uma condenação para muitos municípios. Cabe ao governo do Estado ajudar, dar suporte e criar condições para que essas cidades possam avançar”, observou.

O pré-candidato também defendeu investimentos voltados ao fortalecimento da identidade turística dos municípios acreanos. Como exemplo, citou Santa Rosa do Purus, destacando o potencial do turismo indígena e a necessidade de criar atrativos capazes de despertar o interesse de visitantes e investidores.

“Quem chega a uma cidade precisa enxergar progresso. Se ele vê desenvolvimento, pode se sentir motivado a investir. Mas, se encontra abandono, dificilmente vai querer aplicar recursos naquele local”, argumentou.

Segundo Bocalom, essa visão de planejamento e valorização das potencialidades locais foi adotada durante suas gestões em Acrelândia e Rio Branco.

Outro tema abordado foi a situação do saneamento básico nos municípios do interior. Bocalom classificou como preocupante a falta de estrutura adequada para destinação de resíduos sólidos e tratamento de esgoto em grande parte do Acre.

“Rio Branco é praticamente a única cidade que possui uma destinação final correta para o lixo. Os demais municípios ainda enfrentam enormes dificuldades nessa área”, afirmou.

Ele destacou o trabalho desenvolvido pelo Consórcio Intermunicipal de Resíduos Sólidos, criado com apoio da Associação dos Municípios do Acre (Amac), que realiza estudos técnicos para identificar a composição do lixo produzido em cada cidade.

De acordo com o ex-prefeito, os levantamentos servirão de base para a elaboração de políticas públicas mais eficientes voltadas ao gerenciamento de resíduos, abastecimento de água e tratamento de esgoto.

Bocalom também elogiou a parceria firmada entre o consórcio, o governo estadual e o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para a elaboração de um plano estruturante voltado ao saneamento nos municípios acreanos.

“Precisamos resolver não apenas a questão do lixo, mas também da água e do esgoto. Muitos municípios não têm sequer um metro de rede de esgoto sanitário. A saúde pública depende diretamente do saneamento básico”, ressaltou.