“Eu acho que ele se equivocou. Acho que ele não me conhece. Primeiro que é mais fácil ele estar a serviço do PT do que eu.” A declaração é do deputado federal Eduardo Velloso (Solidariedade), candidato ao Senado, ao responder às declarações do senador Márcio Bittar (PL), candidato à reeleição, que teria insinuado que Velloso estaria “a serviço da esquerda” e do PT. O confronto verbal ocorreu durante participação de Velloso no podcast Papo Informal, apresentado pelo jornalista Luciano Tavares, nesta quinta-feira, 24.
Ao comentar a fala de Bittar, Velloso fez uma provocação ao senador e questionou o voto dele para a Presidência do Senado. Segundo Velloso, Bittar apoiou Davi Alcolumbre, enquanto Rogério Marinho, segundo sua avaliação, defendia pautar pedidos de impeachment.
“Pergunte em quem ele votou para a Presidência do Senado. Ele votou no Davi Alcolumbre. E nós tínhamos o Rogério Marinho, que iria pautar os impeachments necessários. Por que ele não votou no Rogério Marinho? Não sou eu que tenho que responder, é ele”, afirmou.
Velloso acrescentou que, na sua interpretação, a escolha de Bittar por Alcolumbre seria incompatível com a acusação de que ele próprio estaria alinhado ao PT.
“Se ele acha isso de mim, quem votou no atual presidente do Senado já sabia que ele não iria pautar. Então, é mais fácil ele estar a serviço do PT do que eu”, disparou.
“Eu não tenho raiva de ninguém”
Questionado por Luciano Tavares sobre sua relação com integrantes do PT e com o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Velloso afirmou que mantém diálogo com diferentes grupos políticos.
“Eu não tenho raiva de ninguém e converso com todo mundo. Eu sou do diálogo. Pode ser da esquerda, pode ser da direita”, declarou.
O deputado disse que sua postura de dialogar com integrantes do governo federal não significa alinhamento político com o PT. Como exemplo, citou sua atuação junto ao ministro das Cidades, Jader Filho, integrante do governo Lula.
“Qual o problema de eu ir lá conversar com ele? Depois que passa a política, quem venceu tem que governar para todos. Aí eu, por ser contrário ao governo, não vou lá conversar? Eu vou lá conversar, sim. Vou lá cobrar e vou fazer o meu papel de parlamentar”, afirmou.
Velloso também destacou que, em sua avaliação, um parlamentar deve buscar recursos e benefícios para o Estado independentemente de divergências políticas com o governo federal.
“Um parlamentar bom, só porque é do outro lado, não quer trazer benefícios para o seu Estado? Não. Eu trago benefícios para o meu Estado. Independente, eu sou uma pessoa do diálogo”, disse.
Na entrevista, Velloso citou ainda articulações que, segundo ele, resultaram na liberação de recursos federais para projetos habitacionais no Acre.
O deputado afirmou que procurou Jader Filho para tratar de empreendimentos habitacionais do governo estadual e disse ter participado de uma agenda ao lado do governador Gladson Cameli.
“Fui lá com o ministro Jader Filho e ressalto aqui: fui muito bem tratado. Consegui liberar para o governo do Estado”, relatou.
Velloso também mencionou o programa habitacional “1.001 Dignidades”, ligado à Prefeitura de Rio Branco, e afirmou que atuou junto ao ministro para viabilizar recursos destinados à infraestrutura das moradias.
“Bocalom já estava desacreditado que conseguiria liberar. Fui lá com o ministro Jader Filho e ele liberou os R$ 37 milhões para fazer”, afirmou.
A troca de acusações entre Velloso e Bittar ocorre em meio à disputa por duas vagas ao Senado pelo Acre nas eleições de 2026. Os dois já tiveram uma relação política próxima: Velloso foi primeiro suplente de Bittar e chegou a exercer o mandato de senador durante o afastamento do titular.
Em agosto, Velloso já havia respondido publicamente a declarações de Bittar sobre seu posicionamento político. Na ocasião, afirmou que sua trajetória parlamentar deveria ser considerada para avaliar as acusações de alinhamento à esquerda.





