Rio Branco, AC, 18 de setembro de 2026 13:40
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“Flaviano deixou obras, Jorge transformou, Binho foi republicano e Gladson tem carisma”: Narciso compara gerações de governadores no Papo Informal

Quem foi melhor governador do Acre? A pergunta parecia simples, mas a resposta de Narciso Mendes, no Papo Informal, apresentado pelo jornalista Luciano Tavares nesta quinta-feira, 17, virou uma viagem pela história política recente do Estado.

Narciso evitou colocar todos os governadores na mesma régua. Para ele, cada um governou em um período diferente e enfrentou circunstâncias distintas. Ainda assim, fez elogios específicos a nomes que marcaram diferentes momentos do Acre.

Ao comparar Flaviano Melo e Jorge Viana, Narciso afirmou que os dois foram bons governadores, mas destacou obras e realizações que, segundo ele, permanecem na estrutura de Rio Branco.

“Flaviano Melo fez muito por esse Acre”, afirmou.

Entre os exemplos citados, mencionou o sistema de abastecimento de água de Rio Branco e os conjuntos habitacionais construídos durante a gestão de Flaviano. O conjunto Manoel Julião é, de fato, associado à administração de Flaviano, e registros legislativos também apontam a construção de outros conjuntos habitacionais durante seu governo.

Binho entra na conversa — e recebe um elogio incomum

Quando Luciano Tavares colocou Binho Marques na comparação, Narciso foi direto:

“Na minha entender, entre todos foi o mais republicano.”

A justificativa veio em seguida. Para Narciso, Binho teria sido o governador que menos utilizou a máquina pública em favor da política partidária.

“Ele era um sujeito absolutamente republicano”, afirmou.

A declaração chama atenção porque Narciso não avaliou Binho necessariamente pelo volume de obras ou pelo tamanho de sua administração, mas por um critério político: a relação entre governo e partido.

Na comparação entre Jorge Viana, Tião Viana e Binho Marques, Narciso voltou a destacar Jorge.

“Jorge”, respondeu quando pressionado a escolher um dos três.

A justificativa também veio acompanhada de uma referência à transformação administrativa do Estado e da capital. Para Narciso, Jorge Viana deixou uma marca significativa justamente por ter atuado em um período considerado inaugural para uma nova fase política do Acre.

“Só em ter instituído a Prefeitura e o Governo do Estado do Acre, ele fez demais”, afirmou.

A avaliação histórica sobre Jorge Viana é naturalmente objeto de interpretações diferentes. Seu primeiro governo ocorreu de 1999 a 2002, e ele foi reeleito em 2002. Naquele segundo pleito, venceu Flaviano Melo com 63,58% dos votos válidos, segundo os dados eleitorais registrados para a disputa.

Quando a conversa chegou a Gladson Cameli, Narciso abandonou a comparação tradicional de obras e gestão e entrou em outro terreno: o carisma político. “É uma figura a ser interpretada”, afirmou.

Segundo Narciso, a capacidade de comunicação direta de Gladson com a população seria um fenômeno político particular.

“Se ele parar em uma esquina de qualquer cidade do nosso Estado, ele, em cinco minutos, será rodeado de pessoas para ficar ouvindo-o, porque o carisma dele é muito grande”, disse.

Narciso contou ainda que, durante a segunda campanha de Gladson ao governo, encontrou em uma livraria de São Paulo um livro chamado O Poder do Carisma. Depois de ler a obra, disse ter identificado no governador características que associou ao conceito apresentado no livro. “Eu digo: está aqui a figura do Gladson Cameli”, relatou.