Rio Branco, AC, 21 de agosto de 2026 12:07
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Petecão critica dependência da “máquina” e diz que vulnerabilidade econômica influencia eleições no Acre

“Eu só ouço: ‘qual o fulano deu um milhão, deu 500 mil’. Eu duvido que o cara tire o dinheiro do bolso dele e dê um milhão para alguém”, afirmou o senador Sérgio Petecão (PSD), candidato à reeleição, ao criticar o uso de estruturas políticas e recursos financeiros nas campanhas eleitorais do Acre. A declaração foi feita nesta quinta-feira, 20, durante entrevista ao podcast Papo Informal, apresentado pelo jornalista Luciano Tavares.

Com 32 anos de vida pública, período em que ocupou os cargos de deputado estadual, deputado federal e senador da República, Petecão avaliou que a relação entre políticos e eleitores mudou significativamente ao longo das últimas décadas. Segundo ele, a dimensão econômica das campanhas ganhou cada vez mais importância, especialmente diante da vulnerabilidade de parte da população.

Ao ser questionado sobre a influência da chamada “máquina” eleitoral, o senador afirmou que o crescimento populacional e as dificuldades econômicas enfrentadas por muitas famílias criaram um cenário favorável para políticos que possuem estruturas maiores de campanha.

“A população cresceu muito e muita gente desempregada. As pessoas ficam um pouco vulneráveis”, afirmou.

Petecão citou como exemplo situações em que candidatos ou grupos políticos oferecem algum tipo de auxílio a pessoas em dificuldade financeira. “O cara não tem o que comer, aí o abençoado vai lá, leva um sacolão. Como é que o cara não vai querer receber?”, declarou.

Na avaliação apresentada pelo senador, a influência da estrutura política também aparece na oferta de empregos e na contratação de trabalhadores terceirizados. Ele afirmou que grupos que controlam estruturas maiores conseguem utilizar esse poder como instrumento de influência eleitoral.

“Aí o cara vai lá dar o emprego, o cara vai lá, bota no terceirizado. Tem essas coisas”, disse.

Petecão também relacionou o cenário eleitoral à saída de moradores do Acre, principalmente jovens. Segundo ele, a migração de parte da população reduz a participação de uma parcela da nova geração na política local.

“Muita gente indo embora do Acre. Muita gente, muito jovem indo embora do Acre”, afirmou.

O senador reconheceu ainda que sua longa trajetória política pode não ser suficiente para garantir reconhecimento entre os eleitores mais jovens. Ele disse acreditar que muitos dos eleitores mais antigos conhecem sua trajetória, mas admitiu que parte da nova geração pode não saber quem ele é.

“Eu acho que todo mundo me conhece, mas essa nova geração tem muita gente que não me conhece”, afirmou.

Diante desse cenário, Petecão defendeu uma maior participação de profissionais e representantes de diferentes setores da sociedade na política. Ele citou uma conversa recente com professores do Instituto Federal do Acre (Ifac) como exemplo.

“Vocês têm que entrar na política, porque senão a gente vai ficar refém de um monte de bacana aí”, disse ter aconselhado os professores.

O senador também questionou a origem de grandes volumes de dinheiro movimentados por candidatos durante campanhas eleitorais. Ao comentar valores de R$ 1 milhão ou R$ 500 mil citados no meio político, afirmou duvidar que esses recursos sejam provenientes diretamente do patrimônio pessoal dos candidatos.

“Eu duvido que o cara tire o dinheiro do bolso dele e dê um milhão para alguém”, declarou.

Petecão argumentou que alguns grupos conseguem acesso mais fácil a recursos e estruturas, enquanto outros precisam enfrentar maiores dificuldades para disputar uma eleição.

“Tem muita gente que acessa o recurso de uma forma muito fácil. Mas, se o cara for ralar, não dá”, afirmou.