Dinheiro foi encontrado em uma barbearia de Sena Madureira na véspera das eleições; responsável pelo estabelecimento nega irregularidades e apresenta justificativas para os valores.
A apreensão de R$ 30.652 em espécie dentro de uma barbearia de Sena Madureira, no interior do Acre, passou a ser investigada pela Polícia Federal por suspeita de corrupção eleitoral. O caso ganhou novos desdobramentos após a instauração de um inquérito encaminhado à Justiça Eleitoral nesta sexta-feira (16).
O dinheiro foi localizado no dia 3 de outubro, véspera do primeiro turno das eleições, durante uma operação realizada após denúncia anônima de possível compra de votos no estabelecimento conhecido como Nego Barbearia.
Além da quantia em dinheiro, os agentes encontraram 56 santinhos e 180 adesivos de campanha do deputado estadual Tadeu Hassem (Republicanos), que conquistou a reeleição com 8.598 votos.
Durante a abordagem, os policiais localizaram R$ 7.600 com Cleverton Oliveira da Silva, responsável pela barbearia. Outros R$ 23.052 estavam guardados em uma gaveta. Um aparelho celular também foi recolhido.
Responsável pela barbearia apresenta explicações
Ao prestar depoimento, Cleverton negou que os valores estivessem relacionados à compra de votos. Segundo ele, parte do dinheiro seria utilizada para pagar trabalhadores de duas barbearias que administra.
Sobre a quantia encontrada na gaveta, afirmou que R$ 20 mil pertenciam a um primo e seriam destinados à negociação de gado. Outros R$ 3 mil, conforme sua versão, teriam sido deixados por um funcionário antes de uma viagem.
A Polícia Federal pretende confrontar essas declarações com documentos, registros bancários e outras informações para esclarecer a verdadeira origem e destinação dos recursos.
Polícia não encontrou provas imediatas de compra de votos
Apesar da apreensão, a prisão em flagrante de Cleverton não foi confirmada pela autoridade policial. Na avaliação inicial, não havia elementos suficientes que demonstrassem pagamento, promessa de dinheiro ou qualquer outra vantagem oferecida a eleitores em troca de votos.
Também não foram identificados, naquele momento, possíveis beneficiários ou registros que comprovassem a utilização da quantia para fins eleitorais.
Mesmo assim, a presença do dinheiro e dos materiais de propaganda motivou o aprofundamento das investigações.
Deputado não aparece como investigado
Embora o material apreendido estivesse relacionado à campanha de Tadeu Hassem, os documentos mencionados no procedimento apontam Cleverton como investigado. Até o momento, não há comprovação de participação do parlamentar em eventual esquema de compra de votos.
O inquérito foi encaminhado ao 2º Juízo das Garantias do Núcleo I do Tribunal Regional Eleitoral do Acre (TRE-AC).
A investigação busca esclarecer se houve prática de corrupção eleitoral, crime previsto no artigo 299 do Código Eleitoral.
O procedimento ainda está em andamento e não representa uma conclusão de culpa dos envolvidos.





