Márcio Pereira afirma que prefeito Alysson Bestene determinou que denúncias sejam verificadas; vereador diz que levou ao MPAC relatos sobre falta de alimentos, materiais de limpeza e problemas em aparelhos de ar-condicionado
As denúncias sobre problemas na merenda escolar e nas condições de funcionamento de unidades da rede municipal de ensino de Rio Branco provocaram um novo movimento dentro da Prefeitura e chegaram ao Ministério Público do Acre (MPAC). O secretário de Articulação do município, Márcio Pereira, em visita a Câmara de Rio Branco, nesta quarta-feira, 16, afirmou que a gestão do prefeito Alysson Bestene vai analisar as informações apresentadas pelo vereador Hildegard Pascoal e adotar providências caso sejam confirmadas irregularidades.
“Se realmente de fato aconteceu, se as provas estão aí, a Prefeitura vai ter que cumprir o papel dela, que é tomar providência sobre o que aconteceu”, declarou Márcio.
O secretário afirmou que conversou com Hildegard e que o prefeito Alysson Bestene pediu que ele buscasse informações diretamente com o parlamentar. Segundo Márcio, a Prefeitura não pretende tratar a fiscalização como um confronto político, mas como parte das atribuições do Legislativo.
“A gente não pode olhar isso como uma oposição, mas tem que olhar como uma fiscalização”, afirmou.
A declaração ocorre após Hildegard encaminhar ao Ministério Público um pedido de apuração sobre a qualidade e o fornecimento da alimentação escolar, além das condições dos aparelhos de ar-condicionado nas escolas municipais.
Hildegard afirma que as denúncias chegaram ao gabinete por meio de servidores, pais, responsáveis e integrantes da comunidade escolar. Segundo ele, inicialmente os relatos envolviam supostos casos de assédio moral, mas posteriormente passaram a incluir denúncias relacionadas à merenda e à falta de materiais básicos nas unidades.
“As denúncias foram engrossando cada vez mais”, afirmou o vereador.
De acordo com Hildegard, há relatos de escolas onde faltariam produtos como carne bovina, frango, peixe e até itens básicos utilizados pelas merendeiras. Ele afirmou ainda ter recebido informações de que profissionais estariam levando materiais de limpeza de suas próprias casas.
“Tem colégios que crianças passaram três dias comendo ovos”, relatou.
O vereador também questionou a distribuição dos gêneros alimentícios adquiridos pela administração municipal e disse ter recebido relatos de unidades que receberiam produtos em quantidade inferior à esperada.
“Tem contrato para compra de peixe, carne bovina, frango, sardinha e ovos. […] Carne vermelha é uma luta em colégios que nunca sequer chegou o peixe”, afirmou.
As declarações, no entanto, fazem parte das denúncias apresentadas pelo parlamentar e ainda dependem de apuração pelos órgãos competentes.
Denúncias foram levadas ao Ministério Público
No ofício nº 008/2026, encaminhado ao procurador-geral de Justiça do Acre, Danilo Lovisaro do Nascimento, Hildegard solicita investigação sobre a composição, qualidade e regularidade do fornecimento da merenda escolar nas unidades municipais.
O documento pede que sejam verificados o cardápio efetivamente servido aos estudantes, os processos de aquisição e contratação, a entrega e a distribuição dos alimentos, especialmente das carnes.
O vereador também solicita investigação sobre os aparelhos de ar-condicionado. Segundo os relatos apresentados, haveria salas sem equipamentos, aparelhos que necessitam de manutenção e equipamentos retirados que não teriam sido repostos.
Hildegard pede ao MPAC que examine contratos, pagamentos, notas fiscais, ordens de serviço e os equipamentos efetivamente atendidos para verificar a regularidade dos serviços.
“Minha obrigação é lutar pelo povo”, afirma Hildegard
Ao comentar a possibilidade de uma reunião com o prefeito, articulada por Márcio Pereira, Hildegard afirmou que pretende manter as cobranças e apresentar diretamente ao chefe do Executivo as informações que recebeu.
“Quem conhece a minha personalidade sabe que o que eu falo aqui, eu falo na frente de qualquer pessoa. A minha preocupação é com o povo”, declarou.
O vereador também afirmou que sua atuação não tem como objetivo preservar a imagem de integrantes da administração municipal.
“A minha obrigação como vereador é lutar a favor do povo e não do prefeito, até porque eu não sou funcionário do prefeito e muito menos de secretários”, disse.
Prefeitura diz que gestão está aberta à fiscalização
Márcio Pereira, por sua vez, afirmou que a administração municipal não tem resistência ao trabalho de fiscalização realizado pelos vereadores e destacou que Alysson Bestene pretende manter o diálogo com a Câmara Municipal.
“O prefeito Alysson Bestene sempre esteve aberto para o diálogo”, afirmou.
O secretário reconheceu que uma prefeitura de capital enfrenta uma série de problemas e disse que a atual gestão vem buscando identificar prioridades diretamente com a população.
Segundo Márcio, o prefeito tem mantido uma rotina de visitas aos bairros justamente para ouvir demandas e identificar as necessidades de cada região.
“Você consegue saber quais são as prioridades que a cidade precisa, que o bairro precisa. Se você não conhecer sua cidade de ponta a ponta, você não sabe o que realmente [ela precisa]”, afirmou.
Ele ressaltou, contudo, que a administração não dispõe de recursos suficientes para resolver simultaneamente todos os problemas da capital.
“A gente tem recursos para resolver todos os problemas de Rio Branco? Não tem. Mas eu tenho certeza de que, com o trabalho que estamos fazendo, vamos conseguir trazer dias melhores para a nossa cidade”, declarou.
Márcio disse ainda que pretende articular uma reunião entre Alysson e Hildegard para que as denúncias sejam apresentadas diretamente ao prefeito.
Enquanto a Prefeitura afirma que irá levantar informações e adotar medidas caso as irregularidades sejam comprovadas, o vereador cobra uma investigação aprofundada e diz que continuará encaminhando ao Ministério Público os relatos recebidos pelo gabinete.
A apuração agora deverá esclarecer se os problemas relatados são casos pontuais, falhas administrativas ou eventuais irregularidades na execução dos contratos e no fornecimento dos serviços e alimentos às escolas municipais.





