Reajuste de 1.650% preocupa empresas de aviação, pode encarecer passagens para municípios isolados e também afeta custos relacionados aos hangares.
O aumento da tarifa de permanência de aeronaves no Aeroporto de Cruzeiro do Sul, administrado pela Vinci Airports, está provocando preocupação entre profissionais da aviação regional. A cobrança passou de R$ 2,40 para R$ 42 por hora, representando um reajuste de 1.650%.
Com o novo valor, uma aeronave estacionada durante 24 horas poderá gerar uma despesa de R$ 1.008. Para uma empresa que opera quatro aviões, o custo poderá ultrapassar R$ 120 mil mensais, caso todas as aeronaves permaneçam estacionadas continuamente no pátio durante 30 dias.
Além do reajuste na permanência das aeronaves, há cobrança de taxa para a entrada de ambulâncias no aeroporto, inclusive em situações relacionadas ao transporte de pacientes. Os hangares também deverão sofrer alterações nos valores cobrados, ampliando a preocupação dos operadores da aviação regional.
O deputado estadual reeleito Clodoaldo Rodrigues (PP), de Cruzeiro do Sul, manifestou preocupação com os possíveis reflexos dessas cobranças no preço das passagens, principalmente para moradores de Porto Walter, Marechal Thaumaturgo, Jordão e Ipixuna, no Amazonas.
“Nossa preocupação é com as famílias mais humildes do Vale do Juruá, principalmente de municípios como Porto Walter, Marechal Thaumaturgo e Jordão, onde o transporte aéreo não é luxo, mas uma necessidade. Estamos falando de pessoas que muitas vezes precisam viajar para realizar tratamentos de saúde, resolver problemas familiares ou buscar serviços essenciais. Se esse aumento nas tarifas do aeroporto for repassado às passagens, quem vai sofrer é justamente a população que menos tem condições de pagar. Não podemos permitir que o isolamento dessas comunidades seja agravado por custos cada vez mais altos. É preciso buscar uma solução que respeite as empresas, mas, acima de tudo, proteja a população. Vamos cobrar esclarecimentos e acompanhar essa situação de perto”, declarou o parlamentar.
Pobreza e isolamento agravam a situação
O reajuste atinge a aviação regional em uma área marcada por dificuldades econômicas, limitações de infraestrutura e forte dependência dos transportes fluvial e aéreo.
Um estudo divulgado pela Federação das Indústrias do Estado do Acre (Fieac) apontou o Vale do Juruá como uma das regiões de maior vulnerabilidade socioeconômica do estado. Municípios como Marechal Thaumaturgo, Jordão e Porto Walter apresentam elevada dependência de programas sociais e poucas oportunidades de emprego formal.
Em Marechal Thaumaturgo, por exemplo, o levantamento identificou que, em 2022, havia 49 beneficiários do Bolsa Família para cada trabalhador com carteira assinada, demonstrando a fragilidade econômica do município.
Sem ligação rodoviária convencional com os principais centros urbanos do Acre, essas localidades dependem de embarcações e aeronaves. Durante o período de estiagem, a redução do nível dos rios dificulta ainda mais o deslocamento de passageiros e mercadorias.
O principal temor é que os novos custos operacionais sejam repassados aos passageiros, tornando as viagens ainda mais caras para famílias que já enfrentam dificuldades financeiras.
Aeroporto não atende ligação da reportagem
A reportagem do Notícias da Hora tentou entrar em contato, por telefone, com um representante apontado como segundo na hierarquia administrativa do Aeroporto de Cruzeiro do Sul, para obter esclarecimentos sobre o reajuste das tarifas, a cobrança pelo acesso de ambulâncias e as alterações previstas para os hangares. Entretanto, a ligação não foi atendida.
Até o fechamento desta matéria, não foi possível obter um posicionamento da administração aeroportuária sobre os critérios adotados para as cobranças.
Embora o reajuste da tarifa de permanência das aeronaves esteja confirmado, ainda não há comprovação de aumento no preço das passagens em decorrência da medida.
Em uma região onde o transporte aéreo representa uma alternativa essencial para situações de emergência, tratamentos médicos e deslocamentos entre municípios isolados, o encarecimento das operações preocupa principalmente a população de baixa renda, que poderá sentir os efeitos dessas mudanças no orçamento familiar.





