Ex-governador relata relação amistosa com Gladson após os primeiros meses de gestão e diz que evitou críticas por respeito ao resultado das urnas
O ex-governador do Acre, médico infectologista e professor Tião Viana, afirmou que cuidou do ex-governador Gladson Cameli durante o período da pandemia de Covid-19 e relatou que, apesar de terem mantido uma relação amistosa posteriormente, nunca foi procurado pelo então chefe do Executivo para oferecer sugestões ou orientações sobre a administração estadual.
A declaração foi feita nesta quinta-feira, 23, durante participação no podcast Papo Informal, apresentado pelo jornalista Luciano Tavares. Tião Viana afirmou que, nos primeiros meses do governo Gladson, enfrentou dificuldades pessoais e profissionais, mas preferiu permanecer em silêncio e seguir trabalhando.
Segundo ele, o primeiro encontro com Gladson após os seis primeiros meses de gestão marcou uma mudança na relação entre os dois. Tião Viana contou que o então governador o abraçou e reconheceu as dificuldades enfrentadas durante seu próprio governo.
“Ele disse: ‘Tião, eu tenho que dizer que agora eu entendo o que você fez e o que você passou de dificuldade no governo’”, relatou.
A partir daquele momento, segundo Tião Viana, os dois passaram a manter uma relação amistosa, embora sem uma aproximação política ou administrativa mais estreita. “Ele, no canto dele, nunca me pediu opinião”, afirmou.
Tião Viana aproveitou o relato para defender que governantes tenham abertura para ouvir experiências de antigos gestores. Para ele, o diálogo entre ex-governadores e governantes em exercício pode contribuir para a administração pública.
“Eu acho que todo governante devia ter a alegria de receber um conselho de ex-governante”, declarou.
O ex-governador também afirmou que evitou fazer críticas públicas à gestão de Gladson Cameli durante o período em que esteve fora do poder. Segundo Tião Viana, a decisão foi motivada pelo respeito ao resultado das eleições e pela compreensão de que cabia à população avaliar o governo escolhido pelas urnas.
“Eu nunca fiz uma crítica ao governo Gladson porque não era meu papel. Não é que eu não tenha o que criticar, mas não era meu papel”, afirmou.
Tião Viana disse ainda que, após deixar o cargo, respeitou o resultado eleitoral e procurou não interferir politicamente na administração que o sucedeu. “Eu estava saindo, fui derrotado como governo por um outro projeto. Respeite-se a democracia”, declarou.





