Enquanto moradores de diferentes regiões de Rio Branco enfrentam torneiras secas e precisam recorrer a caminhões-pipa para garantir água em casa, o poder público continua destinando recursos para eventos, viagens e obras que, na avaliação do vereador Zé Lopes (Republicanos), não deveriam estar acima do abastecimento e bem-estar da população.
A crítica foi feita nesta terça-feira, 11, durante a primeira sessão da Câmara Municipal de Rio Branco após o recesso parlamentar. Da tribuna, o vereador relatou reclamações de moradores do Calafate, Centro, Segundo Distrito, Parte Alta e outras regiões da capital.
Segundo Lopes, moradores do João Eduardo II relataram que a água chega apenas a cada três dias. Na semana passada, afirmou, situação semelhante foi registrada no bairro Vitória.
“Se você não ficar de plantão, você perde a janela de oportunidade e a água só vai cair de novo daqui a três dias”, disse.
O problema, segundo o vereador, se arrasta há anos. Lopes afirmou ter presenciado a mesma situação durante a campanha eleitoral de 2024 e novamente em 2025. Para ele, a estiagem deste ano pode aumentar a pressão sobre o sistema de abastecimento.
O parlamentar concentrou o discurso no impacto da falta d’água sobre as famílias de baixa renda. Ele afirmou que moradores são obrigados a comprar água de caminhões-pipa e citou o preço de aproximadamente R$ 70 para abastecer uma caixa de 500 litros.
“Como é que o pobre, como é que a pessoa que recebe BPC, como é que a pessoa que vive de Bolsa Família vai pagar R$ 70 para encher uma caixa de 500 litros que só dura um dia?”, questionou.
Para Lopes, a situação expõe uma inversão de prioridades na administração pública. “Essa deveria ser a prioridade do governo do Estado, essa deveria ser a prioridade da Prefeitura de Rio Branco”, afirmou.
Depois de relatar os problemas de abastecimento, o vereador direcionou críticas aos gastos do poder público. Ele citou o que classificou como R$ 83 milhões em despesas com jatinhos nos últimos sete anos, atribuídas por ele à Casa Civil, além de gastos relacionados a eventos, viagens oficiais e cerimônias.
Lopes também mencionou a tentativa de aquisição de um terreno da Expoacre por R$ 22 milhões, operação que, segundo ele, não avançou após intervenção do Tribunal de Contas do Estado.
O vereador citou ainda investimentos como o viaduto e o Mercado Elias Mansour, ambos na casa dos R$ 30 milhões segundo os valores apresentados por ele, além da fábrica de leite de soja, estimada em R$ 20 milhões.
Ao mencionar a fábrica, Lopes questionou a destinação da produção e afirmou que, segundo dados que apresentou na tribuna, apenas 2% das crianças da rede municipal consomem leite de soja.
“Então o que a gente vê é um Estado cheio de problemas e Prefeitura e Governo do Estado estão gastando com show, com Expoacre, com cerimonial, com viagens oficiais, enquanto a população não tem água”, criticou.
O vereador afirmou que não pretendia, naquele momento, ampliar o discurso para outras áreas, como saúde, porque considerava o abastecimento de água a questão central de sua fala.
“Eu não vou nem falar da saúde, eu não vou nem falar das outras demandas, porque hoje a pauta é água”, declarou.
Ao final, Lopes afirmou que a população deve avaliar os governos pela capacidade de resolver problemas concretos e melhorar a vida das pessoas mais vulneráveis. “Um governo tem que ser julgado pela sua capacidade de melhorar a vida das pessoas que mais precisam”, frisou.
O vereador encerrou garantindo que continuará cobrando providências da Prefeitura de Rio Branco e do Governo do Estado para enfrentar os problemas de abastecimento na capital.





