Rio Branco, AC, 12 de agosto de 2026 09:32
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Plano de governo: Bocalom aposta no agronegócio, segurança e infraestrutura e promete “produzir para empregar” no Acre

O ex-prefeito de Rio Branco e candidato ao Governo do Acre, Tião Bocalom, apresenta como eixo central de seu plano de governo para o período de 2027 a 2030 a ideia de “produzir para empregar”, com uma proposta de mudança na matriz econômica do Estado baseada principalmente no agronegócio, na indústria, no comércio exterior e na exploração considerada sustentável dos recursos naturais.

O documento, intitulado “Trabalho, experiência e compromisso com todo o Acre”, reúne propostas distribuídas em nove áreas: segurança pública; saúde; comércio e serviços; indústria e inovação; agronegócio, bioeconomia e meio ambiente; infraestrutura e logística; tecnologia e governo digital; educação; esporte, cultura e turismo.

Na área econômica, Bocalom defende que o agronegócio passe a ocupar papel central na economia acreana. A proposta inclui programas voltados à agricultura familiar, produção de alimentos, incentivo a culturas como café, cacau, açaí e banana, além da ampliação da agroindustrialização.

O plano também prevê a criação de uma agência estadual de inteligência de mercado para o agronegócio e medidas para ampliar a participação da produção acreana em mercados nacionais e internacionais. Entre as propostas está o fortalecimento do Corredor Bioceânico e da Rota do Pacífico, com foco na ligação comercial com o Peru.

Outro ponto destacado é a regularização fundiária. O candidato propõe a criação de um programa estadual para acelerar a titulação de propriedades rurais, subsidiar o georreferenciamento de pequenas propriedades e criar uma Câmara Permanente de Conciliação de Conflitos Fundiários.

Segurança com tecnologia e batalhões rurais

Na segurança pública, o plano prevê a criação do Programa Acre Mais Seguro, com ampliação do videomonitoramento, reconhecimento de veículos e pessoas, uso de drones e integração dos bancos de dados das forças de segurança.

Bocalom também propõe o uso de inteligência artificial como ferramenta de apoio à tomada de decisões operacionais e o fortalecimento das ações contra organizações criminosas, tráfico de drogas e armas.

Para as áreas rurais, a proposta mais específica é a criação de Batalhões Rurais, dentro do chamado Programa Campo Seguro, além de canais tecnológicos de comunicação entre produtores e forças de segurança.

O plano ainda prevê o Programa Escudo Rosa, voltado à proteção de mulheres vítimas de violência, e medidas de prevenção ao recrutamento de jovens pelo crime organizado.

Saúde regionalizada

Na saúde, a principal bandeira apresentada é a regionalização dos atendimentos para reduzir a necessidade de deslocamento de pacientes para Rio Branco.

O candidato promete fortalecer hospitais regionais de municípios como Tarauacá e Brasileia, ampliar cirurgias eletivas e transformar unidades mistas em Hospitais de Pequeno Porte.

Entre as propostas estão ainda a conclusão do hospital de Xapuri, expansão da hemodiálise para Sena Madureira e Tarauacá, criação de leitos de UTI no Alto Acre e implantação de UTI pediátrica em Cruzeiro do Sul.

Para Rio Branco, o plano prevê a construção de um pronto-socorro pediátrico, a conclusão da nova maternidade e da UPA da parte alta, além da reativação da UPA do Tucumã.

Bocalom também propõe ampliar o transporte aeromédico, fortalecer o Samu e criar estruturas de regulação de urgências.

BR-364, BR-317 e integração com o Peru

A infraestrutura aparece como uma das principais prioridades do documento. O plano prevê manutenção permanente das rodovias estaduais e dos ramais, além da cobrança ao governo federal por intervenções definitivas nas BRs-364 e 317.

A proposta também inclui a substituição de pontes de madeira por estruturas definitivas e um programa de desobstrução de rios e igarapés para facilitar a navegação.

Na área internacional, Bocalom pretende posicionar o Acre como um hub logístico transfronteiriço, explorando a ligação com os portos peruanos de Matarani, Ilo e Chancay.

O plano propõe ainda a modernização das estruturas aduaneiras de Epitaciolândia e Assis Brasil e a criação de um recinto alfandegado do tipo Porto Seco integrado à Zona de Processamento de Exportação de Senador Guiomard.

Educação tem proposta de viagens à NASA e Disney

Na educação, o candidato apresenta um conjunto de medidas voltadas à tecnologia, ensino técnico, valorização dos profissionais e melhoria da infraestrutura escolar.

Entre as propostas estão concursos públicos, formação continuada de professores, inclusão de inteligência artificial, programação, robótica, ciência de dados e pensamento computacional na rede estadual.

Uma das propostas de maior apelo é a criação do Programa Acre Vai à NASA e DISNEY, que prevê selecionar anualmente pelo menos 50 estudantes da rede estadual com melhor desempenho para uma imersão internacional em ciência, tecnologia, engenharia e inovação no Centro Espacial da NASA.

O plano também prevê incentivos para estudantes do ensino médio vinculados à frequência e ao desempenho escolar. Alunos aprovados em universidades públicas receberiam um notebook ao final do ensino médio.

Na educação inclusiva, Bocalom promete ampliar o número de professores mediadores e cuidadores, fortalecer equipes multiprofissionais e expandir o Atendimento Educacional Especializado.

Emater seria recriada

No campo, uma das propostas de maior destaque é a recriação da Emater, com a promessa de oferecer assistência técnica gratuita à agricultura familiar em todos os municípios.

O candidato também propõe fortalecer a Cageacre para atuar no beneficiamento, armazenamento e comercialização da produção familiar.

O plano prevê ainda incentivo ao uso de drones, telemetria, estações meteorológicas e monitoramento por satélite para ampliar a chamada agricultura de precisão.

Agência para atrair investimentos

Para tentar reduzir o chamado “Custo Acre”, Bocalom propõe a criação da Agência Invest Acre, inspirada, segundo o documento, em modelos existentes em outros estados.

A agência teria como objetivo concentrar informações para investidores, facilitar a busca por novos mercados e aproximar empreendedores de oportunidades de negócios.

O plano também prevê revisão de regras relacionadas ao diferencial de alíquota do ICMS, modernização dos parques industriais, ampliação da conectividade em áreas produtivas e prioridade para empresas acreanas nas compras governamentais, sempre que juridicamente possível.

Governo digital e inteligência artificial

A tecnologia aparece transversalmente em praticamente todos os setores do plano.

Bocalom promete ampliar serviços públicos digitais, digitalizar processos fiscais e criar uma central de dados integrada entre as secretarias estaduais.

O uso de inteligência artificial seria aplicado em áreas como segurança, saúde e manutenção de estradas, com cruzamento de dados para definir prioridades de intervenção.

Também está prevista a criação de um Hub de Inovação do Estado e a ampliação da Infovia Acre para regiões rurais e de fronteira.

Esporte, cultura e turismo

Na área de esporte, o candidato promete ampliar a construção de quadras cobertas, campeonatos e programas de formação de atletas.

Uma proposta específica é a compra de quatro ônibus rodoviários semileitos para transportar equipes esportivas e culturais — dois destinados a Rio Branco, um ao Juruá e outro ao Alto Acre.

Para o turismo, o plano aposta no ecoturismo, etnoturismo, turismo de aventura e turismo de negócios. A estratégia inclui melhorias em aeródromos, portos e atracadouros, além de campanhas para promover o Acre e capacitação de profissionais em inglês e espanhol.

O Vale do Juruá aparece como uma das regiões prioritárias para a expansão da atividade turística.

“Campo rico, cidade rica”

Ao apresentar o plano, Bocalom sustenta que o desenvolvimento econômico deve ser utilizado como base para avanços sociais e ambientais. O documento defende uma maior exploração das áreas agricultáveis e a revisão de normas ambientais para facilitar atividades produtivas.

A campanha resume essa visão em uma frase que atravessa o documento: “Campo rico, cidade rica; campo pobre, cidade pobre.”

O plano também afirma que eventual governo terá como diretrizes a redução de desperdícios, o controle dos gastos públicos, o pagamento em dia de empresas contratadas e a execução de obras com projetos completos.