A Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (APAE) Rio Branco deu início, na tarde de sexta-feira, 21, à programação da Semana Nacional da Pessoa com Deficiência Intelectual e Múltipla. A abertura ocorreu no auditório da Escola Técnica Maria Moreira da Rocha e reuniu profissionais da instituição, alunos, familiares, representantes do setor público, parceiros e convidados.
Com o tema “Inclua Nossa Voz”, a programação pretende ampliar o debate sobre os direitos das pessoas com deficiência, combater o capacitismo e estimular a participação desse público na sociedade.
Durante a abertura, o presidente da APAE Rio Branco, Lázaro Barbosa, destacou que a entidade não poderia deixar a semana passar sem promover uma mobilização em torno da causa. Segundo ele, a programação foi organizada pela diretoria e colaboradores como uma forma de chamar a atenção da sociedade para a necessidade de garantir direitos e oportunidades às pessoas com deficiência.

“A deficiência não é para deixar as pessoas isoladas. A deficiência não deixa as pessoas incapazes. A deficiência precisa ser tratada com respeito, porque os deficientes também têm direito e também têm direito de participar das atividades sociais”, afirmou.
Lázaro ressaltou que a inclusão não deve se limitar ao atendimento oferecido pelas instituições especializadas. Para ele, é necessário que a sociedade compreenda que as pessoas com deficiência têm direito à convivência, ao acesso aos serviços públicos, ao mercado de trabalho, ao esporte, à cultura e a outros espaços de participação social.
Um dos principais pontos destacados pelo presidente da APAE foi a necessidade de informar a população sobre os direitos das pessoas com deficiência para fortalecer a cobrança por políticas públicas.

Lázaro explicou que, quando a sociedade conhece esses direitos, passa a ter mais condições de exigir das autoridades o cumprimento das garantias previstas em lei.
“A ideia é justamente mobilizar a sociedade para que conheça os direitos da pessoa com deficiência e, uma vez que a sociedade é informada, ela passa a cobrar mais das autoridades”, afirmou.
Segundo o presidente, a própria existência da APAE está relacionada à necessidade de oferecer atendimento a pessoas que, muitas vezes, não conseguem encontrar no serviço público a estrutura necessária para suas demandas.

Ele explicou que a entidade atua como uma organização da sociedade civil que busca preencher parte dessas lacunas, oferecendo serviços especializados e suporte às famílias.
“A gente atende aquelas pessoas que não conseguem ser atendidas, recepcionadas nas repartições públicas. Então, a sociedade civil, através de uma entidade, no caso a APAE, formou uma associação e proporciona essa estrutura para dar a essas pessoas aquilo que elas não encontram no setor público”, explicou.
Para Lázaro, porém, o trabalho desenvolvido pela instituição depende da união entre famílias, sociedade civil, iniciativa privada e poder público.
“Sem apoio social fica difícil. A ideia é justamente juntar forças e buscar tudo aquilo que eles precisam para ter uma vida, para ter um dia a dia mais feliz”, destacou.

Programação reúne inclusão, cultura e informação
A abertura da Semana Nacional da Pessoa com Deficiência Intelectual e Múltipla contou com apresentação musical de Daniel Lima, do Departamento Multi-Arte da Secretaria de Estado de Educação (SEE), além da participação do Coral Libras Vivas, que apresentou o Hino Acreano.
Após a abertura oficial conduzida por Lázaro Barbosa, a assistente social da APAE, Arizalda Saldanha, apresentou o tema da Semana Nacional.
Também foram apresentados os serviços oferecidos pela instituição, com participação da coordenação pedagógica, representada por Elisângela Soares Araújo, e da autodefensora da entidade, a aluna Inná Cristina. A programação incluiu ainda a participação de representantes de mercados parceiros e de um aluno da instituição, João Batista, que representou a perspectiva das pessoas com deficiência em relação ao mercado de trabalho.

O evento contou também com a participação do promotor de Justiça José Lucivan Neri e com palestra ministrada por Ana Lúcia Cunha e Silva. Ao encerrar a atividade, Lázaro Barbosa voltou a reforçar a importância da mobilização coletiva em torno da inclusão.
A programação da APAE Rio Branco segue ao longo da semana com atividades voltadas à conscientização, saúde, esporte, cultura, combate ao capacitismo e preparação das famílias para os desafios relacionados à inclusão no mercado de trabalho.
Mais do que marcar uma data no calendário, a Semana Nacional da Pessoa com Deficiência Intelectual e Múltipla busca colocar em discussão uma questão que permanece presente no cotidiano de milhares de famílias: o direito de pessoas com deficiência ocuparem espaços, serem ouvidas, exercerem sua cidadania e participarem plenamente da sociedade.





