Rio Branco, AC, 2 de setembro de 2026 11:25
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Prefeitura de Rio Branco leva educação financeira e fiscal a 8 mil crianças e aposta na formação de cidadãos mais conscientes

Ensinar uma criança a administrar o próprio dinheiro pode parecer uma tarefa distante dos bancos escolares. Mas é justamente nos primeiros anos de formação que hábitos relacionados ao consumo, ao planejamento e à responsabilidade financeira começam a ser construídos. É com essa perspectiva que a Prefeitura de Rio Branco lançou, na manhã desta quarta-feira, 2 de setembro, o Programa Municipal de Educação Fiscal e Educação Financeira de 2026, que atende 8.104 estudantes do 1º ao 5º ano do Ensino Fundamental, matriculados em 28 escolas e um anexo da rede municipal.

O programa une as secretarias municipais de Educação e de Finanças e chega, segundo a administração municipal, à sua 17ª edição. A proposta é trabalhar com os alunos conceitos como planejamento financeiro, consumo consciente, poupança, receitas e despesas, além de explicar a importância dos tributos e a relação entre o dinheiro arrecadado e os serviços públicos oferecidos à população.

Para a secretária municipal de Educação, Kelce Nayra Paes, o projeto tem uma função que ultrapassa os limites da escola: levar conhecimento para dentro das famílias.

“Nada mais didático do que fazer com que as nossas crianças levem essa responsabilidade social para as famílias, principalmente. Hoje nós vemos tantas situações nas famílias de endividamento”, afirmou.

Segundo a secretária, a educação fiscal também busca fazer com que os estudantes compreendam que os impostos pagos pela população retornam à sociedade por meio de políticas e serviços públicos.

“Todos os tributos, todos os impostos que nós arrecadamos, eles viram um bem público. E nós devemos, sim, saber, ter responsabilidade e cuidar desse bem”, destacou.

Um dos desafios do projeto é transformar assuntos considerados complexos — como impostos, arrecadação e planejamento financeiro — em conteúdos compreensíveis para crianças dos primeiros anos do Ensino Fundamental.

Kelce Nayra explica que a estratégia passa pela adaptação da linguagem e pela utilização de diferentes gêneros textuais e atividades pedagógicas.

“No primeiro ao quinto ano, nós temos que trabalhar com uma linguagem acessível. Como é um projeto que já vem sendo desenvolvido há mais de 15 anos, nós temos sempre esse cuidado”, explicou.

As escolas têm liberdade para escolher a melhor forma de desenvolver as atividades. Ao final, uma comissão avalia as produções dos estudantes e seleciona os trabalhos que apresentam melhor desempenho.

Prêmio chega a R$ 128 mil

Além do conteúdo pedagógico, o programa possui uma premiação para incentivar a participação das escolas. De acordo com o secretário municipal de Finanças, Wilson Leite, a edição deste ano terá até R$ 128 mil distribuídos entre as unidades participantes.

A premiação em dinheiro foi adotada como novidade a partir do ano passado. Segundo o secretário, cada escola poderá receber aproximadamente R$ 4,2 mil, além da premiação individual destinada aos alunos e aos profissionais envolvidos no projeto.

“O aluno campeão ganha R$ 1.200, e o professor, o diretor e o coordenador também recebem uma premiação pelo fato de participarem desse concurso”, explicou Wilson.

O secretário avalia que o projeto tem produzido resultados positivos ao aproximar as crianças de temas relacionados à arrecadação e à aplicação dos recursos públicos.

“Quando a gente mostra que o uso do recurso do imposto pago pelo contribuinte é revestido em ações sociais, de educação, infraestrutura e saúde, a gente torna aquele cidadão consciente do valor do imposto que o pai dele paga”, afirmou.

Segundo Wilson, a experiência desenvolvida em Rio Branco também passou a despertar o interesse de outras administrações públicas. Ele informou que o Governo do Acre procurou o município e que foi firmado um convênio para auxiliar na implantação da iniciativa na rede estadual de ensino.

Prefeito destaca endividamento e uso consciente do dinheiro

O prefeito Alysson Bestene afirmou que a educação financeira foi incorporada ao programa de educação fiscal justamente para ampliar a formação dos estudantes diante dos desafios econômicos atuais.

Segundo ele, a proposta é ensinar, desde cedo, conceitos relacionados ao uso consciente da renda, à economia e à formação de uma reserva financeira.

“Hoje, diante das tecnologias, é importante saber como utilizar bem o dinheiro e a renda familiar, ter a noção de poupar também, porque a gente vê muitas famílias endividadas”, disse.

O prefeito também citou situações de endividamento relacionadas a jogos e apostas como uma das preocupações que reforçam a necessidade de discutir o tema ainda na educação básica.

“Dentro da educação, que é um ambiente saudável, um ambiente em que a gente pode trabalhar de forma lúdica, podemos ensinar como utilizar bem essa renda familiar, inclusive trabalhando essa poupança financeira para que prospere cada família, cada lar”, afirmou.

Para Alysson, a escola pode funcionar como uma ponte entre o conhecimento adquirido pelos alunos e a realidade econômica vivida dentro de casa.

O vereador Samir Bestene, que destinou emenda para a iniciativa, também participou do lançamento. Para ele, o programa representa uma oportunidade de começar a enfrentar, desde a infância, problemas que atingem milhares de famílias, como o endividamento e a falta de oportunidades.

“Hoje a gente está dando um grande passo para que a gente possa mudar a chave em alguns dados que nós temos na nossa capital, como, por exemplo, a falta de emprego que a gente sofre, como também a quantidade de famílias endividadas que a nossa cidade tem”, afirmou.

O parlamentar classificou o projeto como uma “semente” para as próximas gerações e defendeu que o conteúdo também estimule o empreendedorismo e a compreensão sobre o funcionamento básico da economia.

“É o início, uma semente que nós estamos jogando para colher bons frutos na futura geração, incentivando o empreendedorismo, incentivando o setor privado, incentivando conceitos básicos de receita, despesa e poupar”, declarou.

A proposta lançada nesta quarta-feira vai além de ensinar crianças a guardar dinheiro. Ao colocar educação financeira e educação fiscal dentro da rotina escolar, o município pretende formar estudantes capazes de compreender escolhas de consumo, planejamento e, principalmente, a relação entre a sociedade e o poder público.

O desafio, agora, é fazer com que conceitos como receita, despesa, poupança, impostos e orçamento público deixem de ser apenas conteúdo de atividades escolares e passem a fazer parte da vida cotidiana dos estudantes e de suas famílias.