Rio Branco, AC, 3 de setembro de 2026 12:26
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Alan leva “coração” de Mailza ao TRE e pede R$ 25 mil; assessoria diz que campanha vai responder na Justiça

A disputa pelo Governo do Acre ganhou um novo capítulo na Justiça Eleitoral — desta vez, por causa de um gesto feito com as mãos. O candidato Alan Rick (Republicanos) e sua coligação ingressaram no Tribunal Regional Eleitoral do Acre (TRE-AC) contra Mailza Assis e Jéssica Sales, alegando que o símbolo de coração teria sido utilizado de forma antecipada para construir a identidade eleitoral da chapa.

A representação, distribuída na quarta-feira, 2, pede multa individual de R$ 25 mil para Mailza e Jéssica. A coligação sustenta que, embora o gesto de coração seja uma manifestação comum e, isoladamente, não configure irregularidade, a repetição do símbolo teria ocorrido em conjunto com outros elementos que posteriormente passaram a identificar a campanha.

A ação cita publicações realizadas antes de 16 de agosto, data a partir da qual a legislação eleitoral permite a propaganda eleitoral. Entre os registros apresentados estão imagens de Mailza fazendo o gesto ao lado de crianças, estudantes, trabalhadores e participantes de eventos públicos.

A representação também menciona uma publicação de 5 de julho, na qual Mailza aparece ao lado da deputada federal Socorro Neri, também do Progressistas, fazendo o mesmo gesto.

Número 11 entra na discussão

O principal argumento da coligação de Alan, porém, está relacionado à associação do coração com outros elementos da campanha.

Segundo a ação, em 11 de julho, durante um evento político em que Jéssica Sales foi apresentada como pré-candidata a vice-governadora, o número 11 teria aparecido em destaque.

Dois dias depois, em 13 de julho, uma publicação conjunta de Mailza e Jéssica teria reunido, segundo os advogados de Alan, o gesto de coração, o número 11, os nomes das duas e elementos gráficos que posteriormente passaram a integrar a identidade da campanha.

Para a coligação adversária, a sequência demonstra uma estratégia de construção antecipada da imagem eleitoral da chapa. A tese apresentada ao TRE-AC não é de que Mailza ou Jéssica estariam impedidas de fazer o coração, mas de que o gesto, associado a outros elementos, teria sido utilizado para promover antecipadamente a candidatura.

A representação também questiona outras publicações anteriores ao período oficial de propaganda que, segundo os autores da ação, apresentariam a chapa ou fariam referência ao número 11 e a manifestações organizadas de apoio.

Campanha de Mailza vai responder

Procurada sobre a representação, a assessoria de Mailza informou que a candidata ainda não se posicionou pessoalmente sobre o assunto e que a campanha irá apresentar sua manifestação no próprio processo judicial.

A assessoria também afirmou que a defesa será feita dentro dos autos, onde a campanha pretende apresentar seus argumentos em resposta aos questionamentos formulados pela coligação de Alan Rick.

Até o momento, portanto, não há decisão do TRE-AC reconhecendo que o uso do gesto tenha configurado propaganda eleitoral antecipada.

O processo nº 0600663-53.2026.6.01.0000 tramita com pedido de liminar e ainda será analisado pela Justiça Eleitoral.

A disputa transforma um gesto popular em mais um elemento da guerra eleitoral pelo Palácio Rio Branco. Alan Rick tenta convencer a Justiça de que o coração, quando associado ao número, aos nomes e à identidade visual da chapa, deixou de ser apenas um gesto espontâneo e passou a integrar uma estratégia de promoção eleitoral antecipada.