Rio Branco, AC, 21 de setembro de 2026 16:16
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TRE-AC manda lacrar celular de advogada e trava perícia em operação que investiga ataques contra Alan Rick

Decisão impede, por enquanto, que a Polícia Civil extraia, copie ou analise os dados do aparelho apreendido durante a Operação Algoritmo Cidadão

Uma decisão do Tribunal Regional Eleitoral do Acre (TRE-AC) colocou um freio temporário na perícia de um celular apreendido pela Polícia Civil durante a Operação Algoritmo Cidadão, que investiga uma possível estrutura coordenada para produção e disseminação de ataques contra o candidato ao governo do Acre Alan Rick (Republicanos).

O aparelho pertence, segundo informações apuradas, à advogada Viviane Silva dos Santos Nascimento, que foi alvo de busca e apreensão na operação e já atuou profissionalmente na defesa de Madson Cameli, marido da governadora e candidata à reeleição, Mailza Assis.

A decisão foi tomada pela desembargadora Rogéria José Epaminondas Mesquita, relatora do habeas corpus criminal nº 0601054-08.2026.6.01.0000, que tramita sob sigilo no TRE-AC.

Celular fica lacrado

Nos autos, a magistrada deferiu parcialmente o pedido liminar e determinou a suspensão de qualquer extração, espelhamento, cópia, perícia ou análise do conteúdo dos dispositivos e mídias apreendidos.

O material deverá permanecer lacrado e sem abertura, enquanto a cadeia de custódia precisa ser preservada e documentada. O celular continua sob responsabilidade da Polícia Civil, que poderá manter os equipamentos apreendidos, mas não poderá acessar seus dados neste momento.

A decisão é provisória e foi concedida até que sejam prestadas informações no processo e a medida seja novamente analisada pela Justiça.

O que a perícia poderia revelar?

O ponto central da decisão está justamente no conteúdo que, por enquanto, permanece inacessível. A análise dos aparelhos poderia ajudar os investigadores a identificar eventuais conversas, arquivos, contatos, perfis e outras informações relacionadas à estrutura que está sendo investigada.

Mas é importante separar investigação de conclusão: a apreensão do aparelho e a existência da operação não significam, por si só, que a proprietária tenha cometido qualquer crime.

O próprio processo tramita sob sigilo, e apenas advogados habilitados podem consultar integralmente os autos no PJe.

A decisão do TRE-AC também não encerra a Operação Algoritmo Cidadão nem determina a devolução do celular. O aparelho permanece apreendido e protegido por lacre, enquanto a Justiça deverá avaliar os próximos passos do caso.

O episódio acrescenta um novo capítulo à investigação justamente no momento em que a perícia dos equipamentos poderia ser utilizada para esclarecer a eventual existência de uma rede organizada de produção e distribuição de conteúdos políticos nas redes sociais.