Seca, calor, fumaça e dificuldade de acesso a serviços podem afetar saúde, alimentação e educação
O Acre está entre os estados da região Norte que podem sentir os impactos do El Niño 2026–2027, especialmente com a previsão de chuvas abaixo da média e temperaturas elevadas. O alerta faz parte de uma análise do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) sobre os riscos do fenômeno climático para crianças e adolescentes.
No Brasil, mais de 30 milhões de crianças e adolescentes — seis em cada dez — estão expostos a dois ou mais riscos climáticos. Desse total, 16 milhões convivem com pelo menos três ameaças.
No Acre, os efeitos de uma eventual intensificação da seca podem atingir principalmente comunidades que dependem dos rios para transporte e acesso a serviços. Falta de água segura, fumaça provocada por queimadas, dificuldades de deslocamento e interrupção de aulas e atendimentos de saúde estão entre os riscos apontados pelo Unicef.
A saúde infantil também pode ser afetada pelo calor extremo e pela desidratação. Alterações no regime de chuvas e nas temperaturas ainda podem favorecer a proliferação do mosquito Aedes aegypti, transmissor da dengue.
Outro ponto de preocupação é a alimentação. Perdas na produção agrícola, redução da renda e aumento dos preços dos alimentos podem elevar a insegurança alimentar e os casos de má nutrição, especialmente entre famílias em situação de maior vulnerabilidade.
O impacto também pode chegar às escolas. No Norte, onde muitas comunidades dependem da navegação, secas que reduzem a navegabilidade dos rios podem dificultar o deslocamento de estudantes e professores, além de comprometer a oferta da alimentação escolar.
O Unicef defende que estados e municípios se preparem antes da ocorrência de eventos extremos, com planos para garantir água potável, atendimento de saúde, alimentação, transporte e continuidade das aulas.
A entidade lembra que os impactos climáticos não atingem todas as crianças da mesma forma. Comunidades isoladas e famílias em situação de vulnerabilidade tendem a enfrentar maiores dificuldades para manter o acesso aos serviços essenciais durante períodos de seca, calor extremo ou queimadas.





