“Pensar o pós-Lula é uma obrigação.” A afirmação é do deputado estadual Edvaldo Magalhães, do PCdoB, que defendeu a união das forças progressistas como caminho para construir uma alternativa política para a esquerda brasileira após o presidente Lula. Durante participação no podcast Papo Formal, apresentado pelo jornalista Luciano Tavares nesta quinta-feira, 22, o parlamentar avaliou que a sucessão do atual presidente será um desafio, mas afirmou que o legado político de Lula poderá orientar esse processo.
Para Edvaldo, Lula já ocupa um lugar definitivo na história do Brasil, tanto pela trajetória sindical quanto pela atuação política e pela passagem pela Presidência da República. O deputado destacou a capacidade do petista de retornar ao comando do país depois de enfrentar um período de prisão e voltar a disputar eleições presidenciais.
Na avaliação do parlamentar, a construção de uma liderança capaz de suceder Lula não deve depender apenas do surgimento de um novo nome, mas da consolidação de um projeto político que reúna partidos, movimentos sociais e organizações populares.
Como exemplo, o comunista citou o Uruguai e a experiência da Frente Ampla, coalizão que reúne diferentes setores da esquerda e do campo progressista. Ele mencionou a trajetória de José Mujica, ex-presidente uruguaio que se tornou uma referência política internacional por seu estilo de vida e sua militância, além de destacar a importância da aliança que contribuiu para a continuidade do projeto político no país vizinho.
Segundo o deputado, a experiência uruguaia demonstra que a força de uma liderança histórica pode ser acompanhada pela construção de uma organização política capaz de sobreviver às mudanças de geração e à substituição de seus principais representantes.
“A esquerda vai precisar estar cada vez mais juntas”, afirmou, ao analisar os desafios enfrentados pelos partidos progressistas brasileiros. Ele citou o desempenho eleitoral do PSB e do PDT, que, segundo sua avaliação, perderam espaço no Congresso Nacional e precisam encontrar novas formas de organização e atuação política.
O deputado também destacou o papel do PCdoB na defesa das federações partidárias, modelo que permite a partidos diferentes atuarem de forma conjunta por um período determinado, preservando suas identidades, mas compartilhando estratégias eleitorais e atuação parlamentar.
Edvaldo atribuiu a autoria da proposta de federação partidária ao ex-deputado federal Haroldo Lima, da Bahia, e afirmou que o projeto foi resgatado durante discussões sobre a reforma política. Na avaliação dele, o mecanismo representou uma alternativa para preservar partidos menores diante de mudanças nas regras eleitorais.
O parlamentar acredita que o cenário político após o segundo turno das eleições poderá abrir espaço para uma aproximação entre as federações de esquerda já existentes. Ele mencionou a aliança formada por PT, PCdoB e PV, além da federação entre PSOL e Rede Sustentabilidade, e defendeu a possibilidade de ampliar esse diálogo para incluir o PDT, o PSB e outras organizações do campo popular.
Para Magalhães, a reorganização das forças progressistas será fundamental para preparar o futuro da esquerda brasileira e construir uma alternativa de continuidade política após Lula. O deputado avalia que o processo deverá ganhar força depois das eleições e dependerá da capacidade de superar divisões internas e estabelecer objetivos comuns.
Ao retomar o exemplo uruguaio, o parlamentar reforçou que a sucessão de uma liderança histórica exige mais do que encontrar um substituto individual: requer uma estrutura política sólida, capaz de manter alianças e sustentar um projeto coletivo.
Na sua avaliação, o pós-Lula começará a ser desenhado com maior clareza a partir do novo cenário político resultante das eleições, em um movimento que poderá redefinir as alianças e a organização da esquerda no Brasil.





